Terça, 14 Novembro 2023 19:22

Comando Nacional cobra dos bancos tratamento humanizado a bancários adoecidos

Reunião entre o Coletivo Nacional de Saúde da Contraf-CUT e a Comissão de Negociações da Fenaban. Reunião entre o Coletivo Nacional de Saúde da Contraf-CUT e a Comissão de Negociações da Fenaban.

Olyntho Contente*

Imprensa SeebRio

O não desconto, até o pagamento do benefício, dos salários adiantados pelos bancos aos bancários em tratamento de saúde e que tiveram seus pedidos de concessão de licença negado, a princípio, pelo INSS, e que entraram com recurso. Esta foi a principal cobrança feita pelo Coletivo Nacional de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) à Comissão de Negociações da Federação Nacional dos Bancos (CN Fenaban), em reunião nesta segunda-feira (13).

Fazem parte do coletivo, diversas entidades sindicais que representam a categoria em todo o país, integrantes do Comando Nacional dos Bancários. Adriana Nalesso, membro do Comando, presidenta da Federa-RJ e diretora do Sindicato, lembrou que o espírito da cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que prevê adiantamento salarial até que seja concedida licença pelo INSS é garantir ao bancário doente não ficar sem remuneração, sobretudo num momento tão delicado, em que mais precisa de recursos para o tratamento.

A dirigente explicou que muitas vezes a pessoa adoece, é colocada em licença para tratamento, mas tem o pedido negado pelo Instituto e recorre. “O problema é que, quando isto acontece, o bancário, ou a bancária, fica no limbo, sem receber o salário porque é considerado inapto para o trabalho, e, ao mesmo tempo, provisoriamente sem o benefício da Previdência. Nesta situação, o banco faz o desconto do que foi adiantado, podendo deixar zerado o contracheque, levando, entre outros graves problemas, ao agravamento do quadro de saúde. O que cobramos foi que em casos como este, o desconto somente seja feito ao final de todos os recursos e o recebimento do benefício”, explicou Adriana.

Acolhimento

“Temos casos de bancários que ficaram sem recurso nenhum, porque descontos foram realizados de uma única vez, num determinado mês. Isso resultou na falta de dinheiro para remédios e para sua própria subsistência, agravando o problema de saúde por conta de todo o transtorno financeiro”, pontuou Mauro Sales, secretário de Saúde da Contraf-CUT. “Pedimos que os bancos acolham esses bancários, levando em consideração o espírito das cláusulas acordadas na CCT, ou seja, que não haja perda salarial e nem endividamento desses trabalhadores, por motivos de saúde”, explicou.

Canal de acolhimento e combate ao assédio

Os representantes da categoria solicitaram ainda a criação, pelos bancos, de canal de acolhimento, para atendimento específico sobre o tema de bancários adoecidos. Outro tema levado à mesa pelo Coletivo foi a proteção de trabalhadores que denunciam assédio no trabalho. “Questionamos os encaminhamentos adotados por bancos, em várias situações, em que denunciantes, vítimas de assédio, foram expostos por terem denunciado”, explicou Mauro Salles.

Resposta dos bancos

Nova rodada de negociação foi agendada para 24 de novembro. Os representantes dos bancos responderam que as demandas do Coletivo serão debatidas entre as empresas, alegando que há casos em que não receberam as informações da situação dos trabalhadores adoecidos e afastados pelo INSS dos órgãos previdenciários competentes.

As demandas sobre a criação do canal de acolhimento e combate ao assédio também serão analisadas e uma devolutiva deverá ser entregue em próxima reunião bipartite, prevista para ocorrer na próxima semana, mas ainda sem data definida.

*Com informações da Assessoria de Comunicação da Contraf-CUT.

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