Sexta, 31 Março 2023 19:19

Brasil é o país com maior número de assassinatos de pessoas trans

Olyntho Contente*

Imprensa SeebRio

“É lamentável o Brasil ocupar o primeiro lugar no ranking de violência de pessoas trans há mais de uma década. É preciso tomar medidas que punam os transfóbicos. Estes assassinatos são crimes de ódio, com requintes de muita crueldade. É doloroso saber de cada ato de violência e morte, e que a impunidade é muito grande”. A afirmação foi feita por Adilson Barros, da direção executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), ao comentar os dados do Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras em 2022.

Publicado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o levantamento mostrou que em 2022, 131 pessoas trans foram assassinadas no Brasil. O número mantém o país como aquele em que mais se mata pessoas trans pelo 14º ano seguido.

Entre as vítimas, cinco tinham entre 15 e 17 anos; 49, entre 18 e 29 anos; 30, entre 30 e 39 anos; sete, entre 40 e 49 anos; duas, entre 50 e 59 anos; e uma com 60 anos. Do total, 76% eram negras. Pernambuco foi o estado que mais matou a população trans em 2022, com 13 assassinatos, seguido por São Paulo e Ceará com 11 casos cada, Minas Gerais com nove e Rio de Janeiro com oito.

Direito à vida

A secretária da Juventude da Contraf-CUT, Bia Garbelini, frisou que todo ser humano tem o direito a uma vida plena, livre de violência. “Esse é o nosso grande desafio enquanto sociedade, já que os dados expõem uma triste realidade que intersecciona violência transfóbica com violência racista”.

Para a dirigente, esse quadro só será revertido com uma ação efetiva do poder público. “Precisamos de políticas públicas consistentes de combate à violação de direitos, mas também de proteção social e bem-estar dessa população. A pessoa trans precisa viver e viver bem”, completa.

Adilson, que também é militante LGBTQIA+, afirma que vê possibilidades de mudança de comportamento e compreensão com as diferenças, principalmente com o terceiro mandato de Lula. “Agora estamos com representatividade no parlamento e em secretarias estratégicas, e o ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, afirma que só seremos um país de verdade quando aceitarmos essas identidades, e de fato ele tem razão”, afirmou.

*Com informações da Contraf-CUT.

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