Quarta, 08 Abril 2026 16:24

Exames médicos, descontos e canal de denúncia são negociados com Itaú

Edelson Figueiredo, diretor do Sindicato, na foto, à esquerda: “O banco precisa humanizar o tratamento que dá aos seus funcionários". Foto cedida pela Contraf-CUT. Edelson Figueiredo, diretor do Sindicato, na foto, à esquerda: “O banco precisa humanizar o tratamento que dá aos seus funcionários". Foto cedida pela Contraf-CUT.

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Imprensa SeebRio

Convocações para exames médicos – Atestado de Saúde Ocupacional (ASO); e Avaliação de Capacidade Laboral (ACL) – funcionamento do canal de denúncias – incluindo o balanço do canal voltado à violência contra a mulher – e questões relacionadas a descontos em contracheques foram os principais pontos debatidos nesta quarta-feira (8/4), entre sindicatos e representantes do Itaú que integram o Grupo de Trabalho (GT) de Saúde. Um encontro para preparar a negociação foi feito na véspera pela bancada sindical.

O diretor da Secretaria de Saúde do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Edelson Figueiredo, participou da negociação. "Cobramos do banco o respeito a direitos que já estão previstos em acordo e na Convenção Coletiva de Trabalho. O Itaú precisa fazer com que as medidas para garantir a saúde e os direitos da categoria funcionem de fato. O banco precisa humanizar o tratamento que dá aos funcionários", afirmou o dirigente bancário.

Os sindicalistas exigiram o fim das convocações indevidas para exames médicos, especialmente de trabalhadores afastados pelo INSS ou que aguardam perícia para prorrogação do benefício. Segundo matéria sobre a negociação publicada no site da Contraf-CUT, o Itaú já havia se comprometido a não realizar estas convocações. De acordo com relatos levados ao banco, mesmo quando os empregados informam sua condição por meio dos canais oficiais, como o IU Conecta, as convocações não são canceladas e, em alguns casos, há ameaça ou aplicação de advertências automáticas pelo não comparecimento.

O GT voltou, também, a denunciar situações em que bancários são convocados para novos exames mesmo após avaliação recente ou quando ainda não tiveram retorno da perícia, evidenciando falhas no processo e desrespeito à condição de saúde dos trabalhadores. A coordenadora do GT de Saúde, Rosângela Lorenzetti, criticou a postura do banco e cobrou mudanças efetivas.

“Não é aceitável que o Itaú continue descumprindo compromissos assumidos e expondo trabalhadores adoecidos a esse tipo de pressão. Estamos falando de pessoas em tratamento, que precisam de acolhimento e respeito, não de ameaças ou práticas automatizadas que agravam ainda mais o seu estado de saúde”, afirmou.

Canal de denúncias segue sob questionamento – Outro ponto importante da reunião foi o funcionamento do canal de denúncias do banco (Ombudsman). O GT voltou a cobrar melhorias no fluxo de apuração, garantia de sigilo, proteção ao denunciante e maior agilidade nas respostas, especialmente em casos de assédio moral e sexual.

O responsável pelo serviço não pôde comparecer à reunião. O banco apresentou documentos sobre como funciona o Ombudsman e também o canal de atendimento às mulheres vítimas de violência, que no Itaú é feito através do “Programa Fique OK”. Segundo o banco, houve 724 atendimentos em 2025. No primeiro trimestre de 2026 foram 166 atendimentos. O banco explicou, ainda que não significa que este seja o total de pessoal atendidas, pois tratam-se se atendimentos, podendo ser vários atendimentos de uma mesma pessoa.

Basta! – Os representantes dos trabalhadores reforçaram a importância do canal “Basta! Não Irão nos Calar”, mantido pela Contraf-CUT e por sindicatos da categoria. O canal oferece acolhimento às mulheres vítimas de violência e pode ser utilizado também por quem prefere não recorrer aos canais institucionais do banco. O número do Basta! no Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro é (21) 97148-7164.

Os representantes dos trabalhadores também reforçaram a necessidade de transparência no funcionamento do Ombudsman e cobraram a apresentação de dados sobre o canal específico para denúncias de violência contra a mulher. O banco ficou de trazer na próxima reunião a quantidade de pessoas atendidas.

Descontos – A reunião também tratou de problemas relacionados a descontos em contracheques durante o período de afastamento, especialmente em casos de antecipações salariais debitadas antes mesmo do recebimento do benefício do INSS, o que pode gerar endividamento dos trabalhadores.

Além disso, foram relatadas dificuldades no tratamento de documentos enviados pelos empregados e inconsistências na comunicação do banco, que têm contribuído para insegurança e prejuízos financeiros.

Movimento sindical cobra soluções concretas – O GT de Saúde reforçou que os problemas apresentados não são pontuais, e sim recorrentes, e que o banco precisa apresentar soluções concretas e cumprir os compromissos já assumidos em reuniões anteriores. “Precisamos determinar um prazo para que o banco retorne sobre a possibilidade de data intermediária para o ASO, sem que seja no dia seguinte”, cobrou Rosângela. O banco disse que vai levar a questão para a direção e dará retorno o mais breve possível para a Contraf-CUT e o GT de Saúde do Itaú.

“Além disso, não concordamos com a convocação para avaliação médica de bancários e bancárias que estejam com o benefício ativo. Pois, nestes casos, o contrato de trabalho está suspenso”, ressaltou a coordenadora do GT de Saúde.

Responsabilidade – Para o movimento sindical, é fundamental que o Itaú adote uma postura mais responsável e humanizada na gestão da saúde dos trabalhadores, garantindo respeito aos afastamentos médicos, transparência nos processos e proteção efetiva contra práticas abusivas.

As negociações vão continuar, com o acompanhamento das entidades sindicais, até que haja avanços efetivos nas demandas apresentadas pelos bancários.

Campanha de vacinação – O banco informou que a campanha de vacinação contra a gripe (H1N1) está prevista para ser iniciada no dia 27 de abril, mas que mandará em breve o calendário com as datas de vacinação em cada base.

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