Quinta, 16 Mai 2024 17:50

Caixa aumenta lucro, sobrecarga de trabalho e adoecimento dos empregados

Preocupante: crédito imobiliário e para o agronegócio cresceu, mas se manteve estagnado para pessoas físicas. Foto: Nando Neves. Preocupante: crédito imobiliário e para o agronegócio cresceu, mas se manteve estagnado para pessoas físicas. Foto: Nando Neves.

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Imprensa SeebRio

Os empregados da Caixa Econômica Federal não têm muito o que comemorar, apesar de terem feito com o seu trabalho o lucro recorrente do banco aumentar em 49,1%, comparado o resultado de R$ 2,88 bilhões alcançado no primeiro trimestre de 2024 com o do mesmo período de 2023. É que a situação de sobrecarga de trabalho vem se agravando a cada dia mais, com a redução de 168 postos de trabalho na Caixa só no primeiro trimestre do ano, ao mesmo tempo em que aumentou em 1, 56 milhão o número de clientes.

Para Rafael Castro, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) e diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o resultado reflete o enorme esforço das empregadas e empregados da Caixa, que estão cada vez mais sobrecarregados. “Com menos trabalhadores e um número muito maior de clientes, os colegas precisam superar os constantes problemas nos sistemas para que o banco obtenha bons resultados. Mas o custo é o aumento da sobrecarga que, somada ao assédio na cobrança de metas, tem levado muitos ao adoecimento”, frisou o dirigente.

No final do primeiro trimestre, o quadro de pessoal da Caixa era de 86.794 empregados(as). O banco chegou a ter 101.484 em 2014, uma redução de 14.690 postos.

Crédito cresce mais para agro: preocupante

Com uma carteira de R$ 754,3 bilhões, o crédito imobiliário, carro chefe da Caixa, cresceu 14,4% em 12 meses. Com isso, o banco aumentou ainda mais sua participação neste segmento. Agora a Caixa lidera o crédito imobiliário com 67,7% do mercado.

“A Caixa desempenha uma função fundamental no financiamento da casa própria. Essa é uma das responsabilidades que todos os bancos deveriam ter, mas é a Caixa, como banco público, que cumpre seu papel social, que toma a frente neste mercado na luta pela redução do déficit habitacional”, ressaltou o coordenador da CEE, ao ressaltar que a Caixa, mesmo quando há queda na taxa básica de juros (Selic), mantém a oferta de crédito para financiamento habitacional, ao contrário de outros bancos, que somente investem no segmento quando a Selic está alta. “Essa política da Caixa precisa ser mantida, com crescimento em volume de recursos”, completou.

A Caixa também acelerou o crescimento do financiamento das operações de saneamento e infraestrutura e do agronegócio. O crédito voltado às operações de saneamento e infraestrutura tiveram expansão de 2,9% em doze meses, totalizando R$ 100,3 bilhões. Para o agronegócio a expansão foi ainda maior, de 20,7%, atingindo R$ 57,8 bilhões.

A Carteira de Crédito Ampliada da Caixa teve alta de 10,4% em comparação ao primeiro trimestre de 2023, totalizando R$ 1,14 trilhão. As operações de crédito comercial com pessoas físicas diminuíram 2,7% somando R$ 134 bilhões. No segmento comercial com pessoas jurídicas, houve crescimento de 3,9%, totalizando um montante de R$ 98 bilhões.

“É preocupante que o crescimento se dê nas carteiras de crédito imobiliário e do agro mas se mantenha praticamente estagnado, na carteira comercial para pessoas físicas e jurídicas. Há milhões de pessoas sem conta e banco. A Caixa precisa contribuir com a bancarização do país e, durante a apresentação do balanço, foi dito que os investimentos na área administrativa ficaram abaixo do provisionado. Ou seja, a Caixa tem competência e espaço para crescer. Falta apenas investir na contratação de pessoal e melhoria de tecnologia. Dinheiro tem pra isso”, analisou o coordenador da CEE.

“E não é apenas para cumprir seu papel social. Isso dá dinheiro também. Volta em forma de recursos e share de mercado (participação)”, completou ao explicar que quando há aumento da oferta de crédito para um novo público, há ganho da fatia de crédito comercial que está em disputa. “A Caixa está abrindo mão desta disputa e as fintechs e os bancos digitais estão entrando com muita facilidade, cobrando juros de 10%, 12%, enquanto a Caixa tem capacidade de oferecer isso a juros menores. Ou seja, é menos chicote no lombo da população, com juros mais baixos e mais dinheiro entrando na Caixa, com o banco atendendo o público que é seu métier”, continuou.

Menor PPP

Nos três primeiros meses do ano, o banco alcançou margem financeira de R$ 15,3 bilhões, com crescimento de 9,9% em 12 meses, decorrente, sobretudo, da redução das despesas de intermediação financeira (-3,3%). Além disso, a redução na provisão para perdas associadas ao risco de crédito (-0,9%) e o incremento nas receitas com prestação de serviços (+6,9%) influenciaram o resultado.

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