Segunda, 19 Junho 2023 18:27

Empregados cobram gestão humanizada na Caixa

O Sindicato em mais um ato por melhores condições de  trabalho na Caixa: movimento sindical critica RH 184 O Sindicato em mais um ato por melhores condições de trabalho na Caixa: movimento sindical critica RH 184

A gestão da Caixa Econômica Federal mudou, mas a forma de se relacionar com os empregados, que são os que, na verdade, fazem este importante banco social funcionar, tem que mudar também. Dois fatos que aconteceram nesta semana, no entanto, parecem mostrar que esta é uma necessidade urgente.
O primeiro deles foi a decisão unilateral da diretoria da CEF de promover alterações no normativo RH 184, que trata do exercício de função gratificada –cargo em comissão. As mudanças foram feitas sem negociação, sequer comunicação prévia à representação dos empregados. A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) as está analisando juridicamente.
“Temos uma nova gestão no banco, mais próxima aos empregados. Mas, da forma como são feitas algumas coisas, por mais que a gente queira, fica difícil defender esta nova gestão de críticas que recebemos em nossas bases”, afirmou a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt.
O outro fato, que acaba tendo relação direta com o primeiro, foi a cobrança, feita mais uma vez pela CEE, à direção do banco – agora durante visita à Universidade Caixa, nesta terça-feira (13/6) – de recriação das estruturas regionais de gestão de pessoas (Gipes), extintas em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro.  
Para as entidades sindicais e associativas dos empregados, a extinção prejudicou o atendimento às demandas dos trabalhadores. Os representantes da Caixa alegaram que o assunto está em análise, mas que, para este ano, não há previsão orçamentária. O que se comenta é que se esta reivindicação já houvesse sido atendida, talvez as alterações unilaterais nas gratificações não tivessem acontecido desta forma desrespeitosa.

Gestão humanizada

Rogério Campanate, dirigente da CEE e do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, criticou a imposição das mudanças na gratificação, classificando-as como uma forte e negativa surpresa. “Foi um descaso por parte da empresa com a reivindicação da CEE feita em mesa de negociação, na presença do vice-presidente de Pessoas, de que mudanças que impactem diretamente os trabalhadores, sejam previamente levadas à mesa de negociação para debate”, afirmou.
Acrescentou que as decisões da Caixa não dependem da aprovação da Comissão Executiva dos Empregados, mas com o distanciamento que se construiu nos últimos anos entre a matriz e a rede, a simples escuta possibilitaria ajustes que evitariam muitos problemas. Fabiana Uehara disse que o que se cobra é uma gestão de fato humanizada e a área de pessoas é a que lida com as questões relacionadas ao dia a dia de trabalho dos colegas.

Gipes

“É urgente a revisão dos processos para diminuir o adoecimento, especialmente os decorrentes de assédio em razão das metas”, disse Fabiana. Ressaltou que a recriação da Vice-Presidência de Pessoas (Vipes), também extinta no primeiro semestre de 2021, foi importante, mas que é fundamental a recriação das estruturas regionais das Gipes para facilitar e agilizar o atendimento de demandas locais.
O movimento sindical bancário sempre defendeu a necessidade de uma área específica de gestão de pessoas, considerada imprescindível não só para o processo de reconstrução da Caixa que o Brasil precisa, mas também para o cuidado com os empregados. A CEE tem recebido relatos de empregados sobre a piora significativa no atendimento de suas demandas por conta da extinção das regionais de gestão de pessoas.

Universidade Caixa

Outro ponto debatido na Universidade Caixa foi a ampliação da oferta de programas de formação. A Comissão reivindicou ainda que os cursos sejam realizados durante o horário de expediente comercial, conforme está previsto no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
A CEE avalia que a Universidade Caixa precisa ser fortalecida através das ações presenciais e a Caixa sinalizou positivamente a esta demanda. Os representantes dos empregados criticaram as certificações sem tempo de estudo para o pessoal das agências, apenas para cumprir metas.

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