Quarta, 27 Agosto 2025 15:31
O BB É DOS BRASILEIROS

Funcionários repudiam ataques da extrema-direita ao Banco do Brasil e à economia do país

No Rio de Janeiro, mobilização organizada pelo Sindicato ocorreu em frente ao prédio do Sedan, no Centro
Funcionários do Banco do Brasil e dirigentes sindicais unidos na defesa da empresa pública e do Brasil contra os ataques da ultra-direita ao país Funcionários do Banco do Brasil e dirigentes sindicais unidos na defesa da empresa pública e do Brasil contra os ataques da ultra-direita ao país Foto: Nando Neves

 

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

 

Funcionárias e funcionários do Banco do Brasil realizaram, nesta quarta-feira (27), um dia nacional de protestos contra os ataques da extrema-direita ao banco público. No último dia 20, o deputado Eduardo Bolsonaro — que está nos Estados Unidos e apoia o tarifaço de 50% imposto pelo presidente Donald Trump contra produtos brasileiros exportados — publicou em suas redes sociais que “o Banco do Brasil será cortado das relações internacionais, o que o levará à falência”. A declaração gerou reação imediata do movimento sindical e do funcionalismo.

Mobilização no Rio

No Rio de Janeiro, o ato aconteceu ao meio-dia, em frente ao prédio do Sedan, no Centro da cidade. O diretor do Sindicato, Alexandre Batista, criticou as campanhas de desinformação que circulam nas redes.
“Dizem que o BB ‘vai quebrar’, que ‘será alvo de sanções internacionais’. Mas sabemos que a instituição é sólida. Teve lucro menor recentemente, mas não é deficitária. Esta luta é em defesa dos empregos, mas também, de forma mais ampla, em defesa do Brasil e da democracia”, afirmou, ressaltando a importância da sindicalização de toda a categoria. 

Agronegócio deve bilhões

No segundo trimestre de 2025, o BB registrou lucro de R$ 3,8 bilhões, queda de 60% em relação ao mesmo período de 2024. O dado, no entanto, vem acompanhado de outro fator: a inadimplência cresceu de 3% para 4,21%. Entre os principais devedores está o agronegócio — maior cliente do banco — que acumula R$ 12,73 bilhões em atrasos superiores a 90 dias.

Apesar disso, o setor segue altamente lucrativo. Em 2024, o PIB do agronegócio atingiu R$ 2,72 trilhões — R$ 1,9 trilhão da produção agrícola e R$ 819,26 bilhões da pecuária.

Defesa do banco público

A diretora do Sindicato e representante da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), Rita Mota, ressaltou que há “interesses políticos e econômicos por trás dos ataques da extrema-direita”.

“As fake news chegaram a levar clientes a procurar os funcionários para perguntar se o banco iria de fato quebrar. Ao contrário: se houvesse uma crise financeira, os bancos públicos seriam os últimos a serem atingidos”, destacou.
Segundo Rita, mesmo com críticas a questões internas a política de recursos humanos da empresa, como metas abusivas e condições de trabalho, a defesa do caráter público do banco é consenso. “O BB é fundamental para o país e essa bandeira nos une”, concluiu.

 Manobra política

O presidente do Sindicato, José Ferreira, relacionou os ataques ao banco a uma tentativa de criar instabilidade política e econômica. “Há uma manobra para favorecer a anistia do ex-presidente Bolsonaro, prejudicando a imagem do BB e colocando em risco a estabilidade do Brasil. Com apoio de Trump, tentam desestabilizar nossa economia para colher dividendos eleitorais em 2026”, disse.
Ferreira defendeu ampliar o debate com a sociedade. “Precisamos impedir que a extrema-direita tenha maioria no Senado, porque o objetivo é desmontar o Estado. Vimos Trump tentar destituir à força Lisa Cook, presidenta do Federal Reserve -  Fed, o banco central norte-americano. Não podemos permitir que isso se repita aqui”, alertou.

Apoio parlamentar

 O deputado federal Reimont (PT-RJ), aposentado do BB, enviou mensagem de apoio ao ato, na qual classificou os parlamentares Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Gustavo Gayer (PL-GO), além do advogado Jeffrey Chiquini, como “traidores da pátria”, defendendo ainda a cassação dos dois parlamentares.

Disputa global e soberania

Para Marcelo Azevedo, funcionário aposentado do BB e ex-dirigente sindical, os ataques fazem parte também, de uma disputa pela hegemonia econômica mundial. “O dólar hoje representa pouco mais de 55% das reservas internacionais, enquanto que os bancos públicos chineses estão entre os maiores do planeta: quatro das cinco maiores instituições financeiras do mundo são chinesas. Isso mostra como os bancos públicos são essenciais para o desenvolvimento da economia e a soberania nacional”, afirmou.

Avanço das fintechs

Adriana Nalesso, presidenta da Federa-RJ e vice da CUT-RJ, lembrou que veio de uma instituição pública, o Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais), privatizado e incorporado ao conglomerado do Itaú-Unibanco.  

“Há uma desregulamentação crescente, com empresas que não são bancos atuando como tal. O Nubank, por exemplo, tem mais de 100 milhões de clientes, mais da metade da população brasileira, mas não é um banco de fato, e sim uma plataforma de pagamentos. Isso representa um risco de crise sistêmica”, alertou.
Para Adriana, é urgente reforçar a regulamentação do setor financeiro e preservar os bancos públicos. “Somos um país soberano e temos instituições sólidas, como o BB e a Caixa, fundamentais para o Brasil”, concluiu.

                                                                 

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