Segunda, 28 Outubro 2019 18:31
ACENDEU A LUZ VERMELHA

Presidente do Banco do Brasil quer a privatização: “será inevitável”

O diretor do Sindicato José Henrique alerta os funcionários do BB para a necessidade de unidade e mobilização a fim de enfrentar os ataques do governo aos bancos públicos O diretor do Sindicato José Henrique alerta os funcionários do BB para a necessidade de unidade e mobilização a fim de enfrentar os ataques do governo aos bancos públicos

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro negar de pés juntos que vai privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, a equipe do governo, comandada pelo Ministro da Economia Paulo Guedes, deixa claro que o objetivo “é vender tudo”. Rubem Novaes, atual Presidente do BB, ressalta que em algum momento no futuro a privatização do BB será “inevitável”. Segundo Novaes, as implicações com estatais serão prejudiciais ao banco dentro de 2 a 4 anos.
“É opinião minha, não é de governo, mas eu acho que, em algum momento, a privatização do Banco do Brasil será inevitável. Com as amarras que uma empresa pública tem, vai ser muito difícil o ajustamento, no horizonte de dois, três, quatro anos, a esse novo mundo de open banking e das fintechs. Fica muito difícil em uma instituição ligada a governos acompanhar esse ritmo. Competimos com uma espécie de bola de ferro na canela”, afirma Rubem.
Ainda que o BB não figure na lista das 17 empresas anunciadas para a privatização, Rubem se mostra cheio de expectativas para o acontecimento. “Se o negócio não tem nenhuma sinergia como nosso ‘core business’, vamos tentar privatizar. Vendemos nossa participação na Neoenergia, no IRB e fechamos a BBTur. Já estamos ‘mandatados’ para vender o nosso banco na Flórida (EUA) e podemos rever a questão do banco na Argentina”, acrescenta.  
“Para quem ainda acreditava que a privatização dos bancos públicos não seria prioridade deste governo, esta declaração deixa claro a intenção do ministro banqueiro, Paulo Guedes. Derrotamos o projeto privatista dos governos Collor e FHC e a categoria precisa estar unidade e mobilizada para impedir nova onda de privatização agora no atual governo”, disse o diretor do Sindicato, José Henrique.
Papel social
Estudo do Dieese mostra a importância do papel social das instituições públicas. Segundo o levantamento, instituições privadas concentram suas agências na região sudeste, enquanto que as instituições públicas atendem regiões mais pobres do país. Os bancos públicos mantêm 62,3% das agências no Norte, 55,6% no Nordeste, 51,5% no Centro-Oeste e 52,8% no Sul. Já na região sudeste, a única região em que os bancos privados são maioria, o percentual das estatais é de 32,6%.
“Os bancos públicos são responsáveis também pelo crédito que promove o desenvolvimento econômico e social do país, uma responsabilidade que não interessa ao mercado privado, que só quer explorar as partes mais lucrativas e especulativas das empresas”, acrescenta Henrique.