Segunda, 13 Janeiro 2020 21:40

Nossa história revela quem somos

Tenho muito orgulho de presidir um sindicato que tem uma história linda, apesar do sofrimento de muitos e da morte do ex-presidente Aluízio Palhano durante a ditadura militar. Nosso sindicato demonstra sua força através de suas direções ao longo desses 90 anos. Nele, aprendemos todos os dias. Algumas coisas não são ensinadas na escola e na universidade, mas sim pelo dia a dia e pela adversidade.
Aprendi a respeitar quem pensa diferente, fiquei ainda mais contestadora e obtive mais certeza de que a luta tem mais chances de ser vitoriosa quando é coletiva. A categoria está cada dia mais se individualizando pressionada a se virar para bater as metas. E quando o resultado esperado pelo banco não é alcançado, o funcionário é taxado de incompetente, pois nunca há uma avaliação por parte dos gestores de que essas metas são abusivas. Esse é o mundo atual que individualiza e culpa o trabalhador que não consegue alcançar objetivos inatingíveis, que não te enxerga como ser humano e te trata como uma máquina. Esse mundo individualista e personalista pode nos consumir e nos adoecer. Todo o tempo, tenho como um dos meus objetivos combater essa prática e passar a importância da coletividade.
O Sindicato dos Bancários do Rio construiu, ao longo de sua história, muitas conquistas coletivas como: piso salarial, tickets refeição e alimentação, auxílio creche e babá, jornada de seis horas, PLR e muito mais. Tudo isso reflete no individual, no nosso bolso, mas a luta foi e é coletiva.
Superando os desafios, seguimos firmes e de cabeça erguida. Nós nos organizamos nacionalmente, somos respeitados. Temos opinião, somos ouvidos nas rodadas de negociação. Temos personalidade e praticamos uma luta coletiva, para todas e todos.
Nossa luta é por democracia, direitos e justiça social, para nós, o mundo será muito melhor quando o trabalhador for respeitado em seus direitos e tiver uma remuneração justa, quando a criança e o adolescente tiverem acesso a uma educação de qualidade, esporte e lazer, quando o povo pobre e humilde for tratado com dignidade, tendo acesso à saúde e a empregos decentes, quando deixarmos de entrar no jogo do “vire-se quem puder” desse mundo individualista, quando a luta, de fato, se tornar coletiva, quando a dor do meu irmão também for sua e de todos os outros.
Tenho orgulho do meu sindicato, da nossa organização nacional. Foi com muita perseverança e luta que conquistamos o maior instrumento de defesa dos nossos direitos: a Convenção Coletiva dos Bancários.
Agradeço a [email protected] @s bancá[email protected] que confiam em nós, na nossa história e na nossa vida.
Parabéns ao sindicato e a todas e todos que, de algum modo, fizeram e fazem parte dessa história.

Adriana Nalesso
Presidenta do Sindicato
dos Bancários do Rio