Sexta, 17 Abril 2026 19:24

Entrevista com Alencar Ferreira, da Chapa 2, sobre propostas para a Previ

Ao centro, o candidato da Chapa 2, Alencar Ferreira, fala com diretores do Sindicato Ao centro, o candidato da Chapa 2, Alencar Ferreira, fala com diretores do Sindicato

Olyntho Contente

Imprensa SAeebRio

Em visita às unidades do Banco do Brasil no Rio de Janeiro, na quarta-feira passada  (15/4), Alencar Ferreira, candidato a Diretor de Administração pela Chapa 2 – Previ para os Associados, conversou com diretores do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, funcionários do BB, sobre sua trajetória profissional, acadêmica, política, e a respeito da sua visão e projetos para a Caixa de Previdência. A conversa evidenciou o preparo e a capacidade técnica preponderantes para reunir as entidades sindicais e as associações de funcionários em apoio à Chapa 2. Confira a seguir.

SeebRio – Alencar, nos conte um pouco da sua trajetória e sobre como foi a construção da Chapa 2 – Previ para os Associados.

Alencar Ferreira – Entrei no Banco do Brasil com 18 anos, em fevereiro de 1983, na agência Guarulhos, em São Paulo. Com participação importante no Sindicato, nos anos 1980 e 1990, fui um dos fundadores da Associação dos Funcionários de Guarulhos, em 1986; nos anos 1990 fui diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenador da Comissão de Negociação dos Funcionários do BB, inclusive durante a mudança estatutária da Previ. Fui dirigente do Instituto de Previdência Municipal de São Paulo, que é o maior instituto de previdência de servidor público municipal do país; passei pelo Ministério do Trabalho, onde fui secretário-executivo. Voltei para o banco e, nos últimos dez anos da minha carreira profissional passei nas empresas de seguro do BB: Aliança do Brasil, Brasil Veículos, BB Mafre e pela BrasilCap (na administração, TI e controladoria). Sou mestre em Economia, sendo a minha dissertação sobre o Banco do Brasil. Tenho curso de extensão em gestão previdenciária na Wharton School, da Universidade da Pensilvania. Fui chamado a compor uma chapa, a Chapa 2 – Previ para os Associados, composta por praticamente todas as entidades sindicais do país, e todas as entidades nacionais dos funcionários: Anabb, Fenabb e AAFBB estão conosco. Isso garante uma ampla participação do movimento que tem histórico de luta pela Previ e Cassi; pelos interesses dos funcionários. Tenho falado que é importante este arco de forças para ganharmos a eleição, mas, mais importante – se formos merecedores dos votos dos colegas associados da Previ – é ter na gestão uma relação próxima com os mais de 190 mil associados. Isso também é fundamental. Nossas entidades serão o elo entre a nossa gestão e os associados da Previ.

SeebRio – Quais são as principais propostas da Chapa 2 para os associados do Plano 1?

Alencar Ferreira – O Plano 1 é um plano fechado, um plano maduro, tem 102 mil associados, aposentados e pensionistas. E cerca de 2.700 colegas ainda na ativa. É um fundo com R$ 25 bilhões. No Plano 1 a principal estratégia é continuar o processo de imunização do passivo. O que significa isso? É aproveitar as boas oportunidades de mercado e ir saindo da renda variável para a renda fixa. No Plano 1, no final dos anos 1990, tivemos quase 70% de renda variável. Dois anos atrás, quando iniciou o processo de imunização de passivo, eram cerca de 32%. Nesse período fizemos bons negócios: ano passado vendemos Neoenergia, e BRF acima do valor de mercado, e com uma rentabilidade histórica muito acima do nosso atuarial. E compramos NTN-Bs,(Notas do Tesouro Nacional - Série B) que são títulos públicos de renda fixa, a IPCA mais 7,36%, que também é acima do nosso atuarial. Esses são títulos de longo prazo e ainda vão dar bons retornos para a Previ.

SeebRio – A Previ está fora do mercado de renda variável?

Alencar Ferreira – Não. Um ano atrás, adquirimos (ações da) Vibra, o que foi motivo de questionamento na mídia, acompanhado de auditoria do TCU. Mas em um ano o papel da Vibra já rendeu mais de 100% na nossa carteira. Foi um excelente negócio. Na semana passada, aproveitando também a conjuntura, a Previ vendeu R$ 1 bilhão em (ações da) Petrobras, que está num momento de alta. A guerra do Irã e a crise do petróleo no mundo tem favorecido estas empresas com valorização sensacional. A nossa estratégia vai ser procurar bons negócios e diminuir a nossa exposição em renda variável e aumentar a de renda fixa.

SeebRio – Quais são as atribuições de um diretor de Administração da Previ?

Alencar Ferreira – Dentro da governança, a nossa Diretoria de Administração tem atribuições que são muito relevantes. A primeira delas é ser uma área de controle da política de investimentos; e também responsável pelo plano de gastos administrativos: todas as despesas correntes e futuras da Previ são executadas pela Dirad. Também é a área responsável pela tecnologia da Previ. Hoje a Previ quer chegar mais próximo do associado, desenvolver novas soluções dos aplicativos e da internet. A Gerência de Tecnologia é que faz isso. Eu adoro o aplicativo da Previ, onde faço tudo o que preciso. Também na Diretoria de Administração, está a Gestão de Pessoas da Previ, que reúne toda a política de pessoas e todos os convênios de cessão dos colegas que vêm do banco trabalhar na Previ. A política de pessoas é central em qualquer instituição. Todo o restante da Previ depende das pessoas. Pessoas qualificadas, pessoas que gostem do trabalho que fazem, que se sintam produtivas, que se sintam criativas, isso é fundamental. Tem de haver uma estrutura de liderança que estimule o ambiente corporativo que deve ser adequado a estes valores. Essa deverá ser a minha grande tarefa como gestor de pessoas. E, por último, as áreas de contadoria e controladoria, também estão dentro da Dirad.

SeebRio – Qual a sua visão sobre a estrutura de governança da Previ?

Alencar Ferreira – A estrutura de governança é uma das grandes conquistas da reforma estatutária de 1997. A gestão paritária e a gestão técnica dos processos da Previ são fundamentais para a segurança e a proteção de longo prazo que a Previ tem. Só como exemplo, a política de investimentos é definida na Diretoria de Planejamento, que é um eleito; executada pela Diretoria de Investimentos, que é um indicado; e controlada pelo Diretor de Administração, que é um eleito. Temos ainda um segundo nível de controle que é a área de Controles Internos ligada ao presidente, um indicado. Num terceiro nível de controle, temos um Comitê de Auditoria, com três membros: um indicado pelos eleitos, um pelo patrocinador e outro sem vinculação com o fundo. Além disso temos toda a estrutura de poder da Previ: Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal. Temos ainda as auditorias internas e externas e a supervisão continuada do órgão regulador, a Previc. É isso que garante a proteção aos nossos recursos previdenciários. É importante também o Conselho Consultivo, tanto do Plano 1, quando do Previ Futuro, canais diretos de comunicação entre os associados e a Previ.

SeebRio – Em uma entrevista, semana passada, a outra chapa falou que a Previ tem concentração em renda variável em poucas empresas, e que quer fazer um ajuste no atuarial. Qual sua visão a respeito?

Alencar Ferreira – Isso me preocupou bastante. Há um desconhecimento de que um fundo de pensão faz investimentos pensando no longo prazo. A Previ tem uma política de liquidez para pagar a folha do próximo período; mas a visão de gestão de toda essa fortuna previdenciária é de longo prazo. O que a outra chapa parece querer fazer é vir para o curto prazo, correr mais riscos para ter ganhos extraordinários no curto prazo. Isso pode colocar em risco todo o mútuo previdenciário da Previ. Eles falam mais: que há uma concentração de renda variável em cinco empresas e que precisamos pulverizar. E esquecem de falar que estas cinco empresas são: Vale, Petrobras, Banco do Brasil, Itaú e Bradesco, que estão na carteira da Previ há muito tempo, com uma valorização histórica do nosso patrimônio, excepcional. E são empresas pagadoras de dividendos o que é importante, sobretudo para o Plano 1; e importante para o fluxo de caixa do plano fechado; e pagador de benefícios. No ano passado, tivemos a maior folha de pagamento do Plano 1, R$ 17 bilhões, paga integralmente com o fluxo de caixa dos nosso investimentos: em primeiro lugar com dividendos oriundos destas empresas, papéis que a outra chapa quer vender; cupons dos títulos públicos federais, alugueis, contribuição dos associados e resultado de empréstimos com participantes.

SeebRio – Alencar, e sobre o que diz a outra chapa a respeito de fazer ajustes na área atuarial?

Alencar Ferreira – É algo que nos preocupa mais ainda. É uma área muito técnica, são pessoas altamente gabaritadas, que convivem em seminários, em formação contínua. É uma área altamente regulada e fiscalizada pela Previc. E de uma penada a taxa atuarial, as premissas atuariais, é muito aventureiro porque traz muito risco. É uma das áreas mais sensíveis da Previ, tanto é que tratamos como ciência atuarial. Não é apetite à risco atuarial é ciência atuarial. Esses dois movimentos podem trazer riscos enormes sobre o nosso patrimônio.

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