Sexta, 06 Março 2026 13:59
EMPREGO E CIDADANIA

Sindicato e Procon-RJ fiscalizam cumprimento da Lei Antifilas em agências de Copacabana

Bancários culpam bancos pelo fechamento de agências e demissões, repudiam metas que adoecem a categoria e criticam a falta de respeito com os clientes
O Procon-RJ multou agências do Itaú e do Bradesco por descumprimento da Lei Antifilas, acompanhado por dirigentes sindicais e do deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ) O Procon-RJ multou agências do Itaú e do Bradesco por descumprimento da Lei Antifilas, acompanhado por dirigentes sindicais e do deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ) Foto: Nando Neves

 

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro participou, junto com o Procon-RJ, de uma fiscalização em agências do Itaú e do Bradesco, em Copacabana, para verificar o cumprimento da Lei Antifilas. Criada em 2002, a legislação estabelece tempo máximo de espera de 15 minutos para atendimento à população em bancos, concessionárias de água e energia e nos Correios.

Lei é para ser cumprida

Autor do projeto que criou a lei, o deputado estadual Carlos Minc (PSB), que participou da atividade, destacou a campanha “Cumpra-se”, criada por seu gabinete para fiscalizar, junto ao Procon, o cumprimento da legislação, que garante um direito básico do consumidor. “Sou parlamentar há muitos anos e não demorei a descobrir que o mais difícil é fazer com que a lei seja cumprida. Já realizamos essa fiscalização em vários bairros. Para se ter uma ideia, em Campo Grande, em dias de pagamento do INSS, aposentados enfrentam filas enormes e chegam a esperar até uma hora e meia para serem atendidos. Todo cliente tem direito a receber uma senha para o atendimento presencial, e o tempo entre a retirada da senha e o atendimento não pode ultrapassar 15 minutos. Há clientes aqui que já estão esperando de 50 minutos a uma hora”, destacou Minc, lembrando que os bancos podem ser multados.

“A legislação prevê multa proporcional ao faturamento das instituições, podendo chegar neste caso a R$ 13 milhões, já que o setor arrecada muito”, acrescentou o parlamentar, muito aplaudido pela população.

Bancos demitem 

O presidente do Sindicato José Ferreira lembrou que a culpa pelos problemas no atendimento não é do funcionário, gerente ou caixa, mas de uma decisão dos bancos de extinguir agências e demitir trabalhadores. “Não é por vontade do bancário não conseguir atender, muito pelo contrário, essa situação prejudica a categoria, pois o caixa que não atende o cliente por uma política dos bancos, amanhã acaba sendo demitido”, destacou, agradecendo o apoio do Procon e do deputado Minc.

Idosa reclama da demora

Na unidade do Itaú em frente à Praça Serzedelo Corrêa, clientes e usuários reclamaram da demora na fila e do calor dentro da agência, já que o ar-condicionado não conseguia dar vazão à grande quantidade de pessoas aguardando atendimento. Uma senhora, que disse ter mais de 80 anos, relatou que estava perdendo muito tempo no banco e temia não conseguir chegar à uma consulta médica marcada.

A sobrecarga de trabalho e adoecimento em função de metas excessivas também é resultado da extinção de milhares de agências e demissões, que sobrecarregam os funcionários que continuam no banco. “Estamos aqui para defender o emprego da categoria, a saúde dos trabalhadores e garantir atendimento digno à população”, afirmou o diretor da Secretaria de Saúde do Sindicato, Edelson Figueiredo.

Apoio da sociedade

A proposta do Sindicato é continuar cobrando dos bancos a preservação dos empregos e a garantia do direito dos clientes e usuários ao atendimento presencial. “Queremos, com essas atividades, sensibilizar a sociedade a reivindicar seu direito ao atendimento presencial e a denunciar ao Procon e ao Banco Central o desrespeito dos bancos à população”, afirmou Marcelo Rodrigues, diretor do Sindicato e funcionário do Bradesco.

Participaram também da manifestação, a vice-presidenta do Sindicato carioca Kátia Branco e diversos dirigentes da entidade e da Federa-RJ (Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores no Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro). 

 

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