Quinta, 12 Fevereiro 2026 20:05

Banco do Brasil lucra R$ 20,7 bilhões, mas sobrecarga de trabalho continua

O dirigente do Sindicato e da CEBB, Alexandre Batista: “Nos últimos anos, o Banco do Brasil vem tendo baixo desempenho, porque optou por ser um banco de mercado e negligenciou o seu papel de indutor do desenvolvimento". Foto: Nando Neves. O dirigente do Sindicato e da CEBB, Alexandre Batista: “Nos últimos anos, o Banco do Brasil vem tendo baixo desempenho, porque optou por ser um banco de mercado e negligenciou o seu papel de indutor do desenvolvimento". Foto: Nando Neves.

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Imprensa SeebRio

O Banco do Brasil superou as expectativas dos analistas do mercado financeiro, fechando o balanço de 2025 com um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões. O resultado foi alcançado em função do lucro do quarto trimestre do ano passado, de R$ 5,7 bilhões, um avanço de 51,7% na comparação com o trimestre anterior.

Projeções apontavam lucro no quarto trimestre de R$ 4,5 bilhões. Mesmo com a recuperação, obtida graças ao trabalho dos funcionários e funcionárias, o lucro anual foi 40,1% menor do que o do ano de 2024.

“A presidenta do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, declarou que o bom desempenho da instituição em 2025 se deveu à dedicação dos funcionários e funcionárias. Ela omitiu, no entanto, a sobrecarga de trabalho e a pressão sistemática para que as metas fossem alcançadas e que o desempenho registrado não representa crescimento, mas estagnação”, avaliou Alexandre Batista, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e integrante da Comissão de Empresa dos Funcionários (CEBB).

BB optou por ser banco de mercado – Para o dirigente, apesar de ter surpreendido o mercado, o lucro no quarto trimestre teve queda de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.  “Nos últimos anos, o Banco do Brasil vem tendo baixo desempenho, porque optou por ser um banco de mercado e negligenciou o seu papel de indutor do desenvolvimento, diminuindo a oferta de crédito barato à agricultura familiar e para investimentos em infraestrutura”, ressaltou.

Acrescentou que os resultados das escolhas feitas pela atual gestão são agências abarrotadas e a queda na qualidade do atendimento. “O banco só teve desempenho acima das expectativas de mercado no último trimestre de 2025 graças a nós, trabalhadores e trabalhadoras, e à diminuição do provisionamento para cobrir gastos com devedores duvidosos. Mas o custo disso é muito alto. Os funcionários têm sido submetidos a metas abusivas, que geram sérios problemas de saúde”, criticou.

Calote do agronegócio – Alexandre apontou ainda que a adoção de políticas mais austeras de recuperação de crédito do agronegócio também contribuiu para melhorar o resultado. “A má gestão dos investimentos no agro e o calote sofrido em anos anteriores vinham afetando o resultado do banco, que acabava refletindo em PLRs menores para o funcionalismo, que é quem mais tem se sacrificado pelo banco”, concluiu.

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