Quinta, 05 Fevereiro 2026 21:10

Três maiores bancos privados tiveram lucro estratosférico: R$ 87 bilhões

Olyntho Contente

Imprensa SeebRio

Os três maiores bancos privados com negócios no Brasil tiveram lucros absurdos em 2025. É preciso lembrar que cada centavo de lucro a mais dos bancos, é menos um centavo na economia, no crescimento do país e na distribuição de renda. Pois bem: Itaú, Santander e Bradesco, juntos, lucraram R$ 87,05 bilhões no ano passado. Mas continuam demitindo e fechando agências, o que atinge diretamente a categoria bancária, que, na verdade, é quem gera este lucro, mas também a população, que sente na pele a queda da qualidade do atendimento.

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira, apontou alguns componentes que levaram a este resultado, entre eles o crescimento da dívida pública, em poder dos bancos, resultado da manutenção da alta taxa de juros básicos, a Selic (15%). “A política de aplicação de altas nas taxas de juros promovidas pelo Copom/Banco Central (Comitê de Política Monetária) tem sido um fator fundamental nos lucros dos bancos privados. Além disso uma política bastante seletiva para a concessão do crédito também contribui para a elevação dos lucros”, argumentou.

Citou outro fator, o desemprego em um setor altamente lucrativo, que contrasta com a geração de empregos no Brasil. “Há um outro fator que é o da redução dos custos de operação que passa pela diminuição do número de agências e dos pontos de atendimentos, além da redução do número de trabalhadores contratados. Resumindo: o que vemos é mais uma vez os bancos privados se aproveitando da política de juros, por um lado, e um quase total descompromisso com os bancários e bancárias, mas também com os clientes e o restante da sociedade, que necessitam dos serviços bancários”, afirmou.

Itaú: sobrecarga de trabalho e precarização dos serviços – O maior lucro ficou por conta do conglomerado Itaú Unibanco: foram R$ 46,8 bilhões, mais um recorde que superou em 13,1% o anterior, alcançado em 2024. Esta alta rentabilidade foi arrancada do spread, das tarifas cobradas dos clientes e da economia com a extinção de 3.535 postos de trabalho em 2025, fora a alta rotatividade de mão-de-obra, com novas contratações por salários menores, para substituir demitidos, o chamado turn over.

Para Maria Izabel, diretora do Sindicato e integrante da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú, os números evidenciam uma contradição entre o lucro elevado e a política de cortes e fechamento de agências adotada pelo banco. “Os bancários e bancárias são fundamentais para esses resultados e merecem valorização, mais contratações e melhores condições de trabalho. Não é aceitável que o  Itaú se torne mais eficiente às custas da sobrecarga dos funcionários e da precarização dos serviços”, criticou.

No Bradesco, demissões aumentam metas e adoecimento – O segundo maior lucro foi o do Bradesco, R$ 24,65 bilhões, uma alta expressiva de 26,1% em relação a 2024. Em contrapartida, as demissões continuaram a avançar. Para o diretor do Sindicato e integrante da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Leuver Ludolff, as dispensas em massa estão impondo aos que ficam uma sobrecarga desumana de trabalho, além de metas ainda maiores, devido à redução do número de funcionários.

“O Bradesco vem adoecendo os bancários e bancárias ao demitir em massa. O assédio moral usado como instrumento de pressão tem feito com que o adoecimento se torne uma verdadeira epidemia. Só na cidade do Rio de Janeiro, em 2025, foram demitidos 351 bancários, um processo que segue este ano: apenas em janeiro, na cidade do Rio, foram mandados embora mais de 30 colegas”, relatou Leuver.

Mas a economia com as demissões de pais e mães de família e o fechamento de agências não se refletiu na redução das tarifas cobradas aos clientes. Muito pelo contrário. As receitas do Bradesco com tarifas e prestação de serviços subiram 8% em 2025 em relação ao ano anterior.   

No Brasil, Santander lucra muito, mas demite, fecha agências e terceiriza – O Santander também lucrou absurdamente, e, pior, mandou para a sua sede, na Espanha, parte deste resultado obtido através da exploração de bancários e da população do Brasil. O lucro líquido gerencial foi de R$ 15,615 bilhões em 2025, crescimento de 12,6% em relação a 2024.

No cenário global, o Santander registrou lucro recorde de € 14,101 bilhões, com crescimento de 12,1%, e o Brasil foi responsável pelo segundo maior resultado do grupo, somando € 2,168 bilhões, atrás apenas da Espanha. O retorno sobre o patrimônio (ROE) anualizado ficou em 17,6%, impulsionado, entre outros fatores, pelo avanço das comissões (+4,3%), com destaque para cartões, seguros e administração de recursos.

Apesar dos resultados expressivos, o banco seguiu ampliando a redução de sua estrutura operacional. Em doze meses, a holding Santander encerrou 2025 com 49.661 empregados, após o fechamento de 5.985 postos de trabalho, sendo 2.086 cortes apenas no último trimestre de 2025. Além disso, 1,6 mil trabalhadores foram transferidos para a SSD, empresa do grupo, como parte da estratégia de reorganização interna. Os empregados da SSD não são considerados bancários, tendo menor salário e menos direitos.

A rede física também foi impactada: em um ano, o banco fechou 579 pontos de atendimento, incluindo lojas e PABs. Segundo dados do Banco Central, o número de agências físicas caiu de 2.430 em dezembro de 2024 para 1.695 em dezembro de 2025, uma redução de 735 unidades.

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