Quinta, 08 Janeiro 2026 21:06

No Rio, manifestantes exigem punição dos golpistas do 8 de janeiro

Ato do Rio ocupou a Praça da Cinelândia. Foto: Nando Neves. Ato do Rio ocupou a Praça da Cinelândia. Foto: Nando Neves.

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Imprensa SeebRio

Esta quinta-feira, 8 de janeiro, foi dia de manifestações em todo o Brasil para marcar os três anos da tentativa frustrada de golpe de Estado que culminou com a depredação dos prédios dos três poderes em Brasília em 2023. O ato do Rio de Janeiro foi na Cinelândia e os oradores em seus discursos cobraram do Congresso Nacional a manutenção do veto integral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto aprovado pela Câmara e pelo Senado, em dezembro, que reduz drasticamente as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a Jair Bolsonaro, militares de altas patentes e civis responsáveis pela organização da trama golpista que planejava depor Lula da Presidência da República e manter Bolsonaro no cargo.

O anúncio do veto foi feito pelo presidente em solenidade na manhã desta quinta-feira, no Palácio do Planalto, também para lembrar a tentativa de golpe. O evento, que teve como objetivo reforçar os valores da democracia, se dá em um momento em que políticos de direita do Brasil defendem a redução de penas. Os atos pelo país tiveram como principal exigência a manutenção dos vetos pelo Congresso ao chamado “PL da Dosimetria”.

Fez parte das atividades que marcaram, no Rio, a passagem dos três anos da tentativa de golpe, o lançamento, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), do livro “8 de Janeiro. Golpe Derrotado, Democracia Preservada”. A publicação traz textos organizados por Gisele Cittadino e Carol Proner. Lideranças sociais, políticas e do meio jurídico estiveram presentes.

Voltar às ruas – Presente à manifestação carioca, o presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, José Ferreira, ressaltou a importância da população ir às ruas para cobrar dos parlamentares do Centrão, que mantenham as penas fixadas pelo STF aos que tramaram o golpe de Estado durante anos.

“Temos que lembrar que o legado deixado pela extrema-direita é o de ataque sistemático ao regime democrático e as liberdades individuais. Mas não só: o governo Bolsonaro com seu negacionismo fez com que 700 mil pessoas perdessem a vida na pandemia da covid 19 e não pode sair impune sem pagar por isto”, frisou. Acrescentou que o povo deve voltar às ruas quantas vezes forem necessárias para cobrar que os responsáveis pela tentativa de golpe de 8 de janeiro cumpram as penas a fim de que isto jamais volte a acontecer. “E cabe ao Congresso ouvir as ruas”, afirmou.

Bolsonaro tem que cumprir pena – O presidente da CUT Rio, Sandro César, lembrou que Bolsonaro vem fazendo demagogia dizendo estar seriamente doente para não continuar preso. “Ele cometeu um crime muito sério, num esquema que planejava, inclusive, assassinar o presidente Lula, o seu vice, Geraldo Alkmin e o ministro do STF, Alexandre de Moraes, no chamado Punhal Verde e Amarelo. Foi condenado a 27 anos e tem que cumprir a pena na prisão”, disse.

O estudante João Pedro, do Movimento da Juventude Socialista, lembrou que este ano começa com uma situação muito delicada, com ataques da extrema-direita, em vários países, mostrando ser um movimento articulado. Citou como exemplos, o ataque militar do governo de Donald Trump à Venezuela, com o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Gonçalves, numa sinalização concreta de que pode usar a força em países com governos independentes, como a Colômbia, o México e o Brasil. Citou também a continuidade do genocídio em Gaza. “Temos que ficar atentos, ir para as ruas para defender, portanto, não só a soberania da Venezuela, mas a dos demais países, incluindo a do Brasil, pois estamos sob ameaça”, argumentou.

Ficar atentos – Paulo Farias, presidente da central sindical CTB, do Rio de Janeiro, lembrou que não ter dado certo a tentativa de golpe de janeiro de 2023 não quer dizer que a ameaça está afastada. Acrescentou que os golpes que a extrema-direita quer impor, seja aqui como em outros países, têm como base a violência, o desrespeito aos valores humanos, à democracia, mas também a retirada de direitos dos trabalhadores.

“Por isto, este ano, a tarefa do povo brasileiro é dizer não aos que tentam acabar com a democracia e os direitos, e apoiar os que a defendem e têm como projeto governar com medidas que atendam à população, e isso quem faz é o governo Lula. A nossa luta agora é para eleger Lula e também deputados e senadores que lhe deem uma base parlamentar folgada para melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro”, argumentou o dirigente.

A presidenta da Federa, Adriana Nalesso, também vice-presidenta da CUT Rio, também argumentou que o povo está indo às ruas para defender a democracia brasileira contra os ataques da extrema-direita. “Existe no mundo uma tentativa da extrema-direita de enterrar a democracia em vários países. Por isto, temos que estar atentos e unidos para impedir que isto aconteça e, ao mesmo tempo, lutar pela reeleição do presidente Lula e a eleição de um Congresso comprometido com a população, a soberania e o desenvolvimento do Brasil”, pontou.

Carlos Serra, do PT de Niterói, classificou os atos desta quinta, como o início de muitos outros que vão se suceder para cobrar direitos da população, durante e eleição. Vinicius Benevides, da Unidade Popular, frisou que o golpe de 2023 não se concretizou porque os trabalhadores foram para as ruas. “Agora temos que voltar a elas para exigir a punição de quem tramou o golpe e, neste ano, continuar nos mobilizando para apoiar, nas eleições, os que defendem um projeto popular voltado para a população, e contra os que atacam a vida dos trabalhadores”, afirmou.

 

 

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