Quarta, 02 Abril 2025 20:18
RODADA DE NEGOCIAÇÃO

Funcionários do Itaú cobram melhorias no GERA e reajuste da PCR

COE questiona cobranças abusivas, rebaixamento de cargos e rejeita proposta de reajuste da PCR apresentada pelo banco

 

Carlos Vasconcellos 

Imprensa SeebRio 

Com informações da Contraf-CUT 

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú se reuniu nesta quarta-feira (2) com a direção do banco para debater problemas já apresentados no encontro passado, como questões relacionadas ao programa GERA e ao pagamento da Participação Complementar nos Resultados (PCR).

Melhorias no GERA

Durante a reunião, o banco informou que já está implementando melhorias no canal “Fale com o GERA”, ferramenta específica para encaminhamento de reclamações sobre o programa. Segundo os representantes do Itaú, cerca de 100 agências registram queixas mensalmente e estão buscando soluções. 

A proposta do banco é simplificar o funcionamento do GERA.

No encontro, o banco admitiu que algumas produções demoram a ser computadas no programa, como no caso da lista VAI, cujo prazo para registro da produção do primeiro contato é de sete dias. Além disso, a COE questionou o fato de as metas trimestrais estarem sendo cobradas mensalmente, com pontuação elevada, sempre acima de 1.000 pontos. Em resposta, o responsável pela área explicou que existe apenas um relatório mensal para que os funcionários acompanhem seu desempenho, mas reconheceu que alguns gestores utilizam esse relatório como meta mensal, o que, segundo os bancários, geram cobranças excessivas e pressão no ambiente de trabalho.

Cobrança abusiva 

A COE apresentou um exemplo de cobrança abusiva em uma região específica, que foge totalmente das regras do programa. "Temos que denunciar ao banco o ranqueamento, a exposição de funcionários em alguns locais e a gestão do programa GERA de forma assediadora", destacou a coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai.

Outro problema levantado na reunião foi a punição no Sistema de Qualidade de Vendas (SQV). Atualmente, se um funcionário é punido em uma agência e posteriormente transferido, ele carrega essa punição para o novo gestor e unidade. O banco alegou que essa prática leva em consideração a lotação do empregado no momento da aplicação.

Além disso, a COE questionou a ausência de remuneração dos ANS no segmento empresas em relação ao GERA, o impacto da transferência de funcionários e a mudança de porte das agências nas metas. 

O Itaú se comprometeu a debater esses pontos em uma próxima reunião, na qual também apresentará informações sobre a gestão do programa, sua comunicação interna, avaliação e treinamentos.

Descomissionamento

Outro tema importante abordado foi o crescente número de bancários rebaixados de cargo. Segundo a COE, em diversas regiões, gerentes estão sendo descomissionados para o cargo de Assistente de Negócios (AN), com jornada de seis horas. 

O banco justificou que essas decisões ocorrem porque os trabalhadores não estariam desempenhando a função conforme os requisitos estabelecidos, e que essa prática está respaldada pela Reforma Trabalhista.

PCR: Proposta rejeitada 

O Itaú apresentou ainda uma proposta de reajuste da Participação Complementar nos Resultados (PCR):

2025: Reajuste do INPC (4,17% em janeiro): Até 23% de ROE: R$ 3.831,48; Acima de 23% de ROE: R$ 4.016,15; 2026: Reajuste conforme a categoria.

A COE rejeitou a proposta imediatamente, argumentando que o reajuste precisa valorizar os trabalhadores, especialmente diante do alto lucro que o banco tem registrado nos últimos anos. Só em 2024, o Itaú lucrou R$ 41,8 bilhões.

"Os bancários do Itaú merecem respeito! O banco precisa valorizar aqueles que trabalham duro para que ele alcance lucros exorbitantes. Não é justo que os trabalhadores adoeçam para bater metas e não sejam reconhecidos como deveriam", reforçou Valeska Pincovai.

Aspecto positivo 

Uma nova reunião será agendada para que a COE apresente novamente suas reivindicações sobre o PCR. O movimento sindical avalia que, por um aspecto pelo menos, a reunião foi positiva, pois os bancários conseguiram debater os problemas e preocupações dos funcionários com o objetivo de encontrar soluções para os trabalhadores.

Avaliação do Sindicato 

A diretora do Sindicato do Rio de Janeiro e representante da COE (Comissão de Organização dos Empregados), Maria Izabel, que participou da negociação, apontou o aspecto positivo destas negociações. 

"A reabertura das negociações sobre o programa GERA é por conta das melhorias que a gente tem condições de conseguir e o Itaú de atender aos funcionários. O banco implementa as metas, tem as regras institucionais, porém essas regras muitas vezes não são seguidas pelos seus gestores, eles querem ser 'mais realistas que o rei' e implementam as suas próprias regras. Então o programa que passou a ter alguns acertos passa a ser todo ruim", disse a dirigente sindical. 

"Por isso é muito importante este canal em que são transmitidas as insatisfações dos bancários e é possível também saber onde estes gestores estão errando. E sob este aspecto, estas reuniões são muito positivas na busca de soluções para as demandas do funcionalismo", completou Izabel.

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