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Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
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Imprensa SeebRio
Como consequência da pressão constante dos movimentos sociais – de mulheres, negros e do próprio movimento sindical bancário – o Santander se reuniu nesta quarta-feira (2/4) com a Comissão de Organização dos Empregados (COE) para apresentar políticas internas de diversidade. O encontro foi híbrido, com participação presencial na sede do Santander em São Paulo, e de dirigentes sindicais de forma virtual. Uma próxima reunião acontecerá em maio.
"O debate sobre diversidade e inclusão deve ser contínuo e acompanhado de medidas concretas que garantam avanços reais. O Santander apresentou algumas iniciativas importantes, mas seguimos cobrando metas mais ousadas e ações que ampliem ainda mais a representatividade, especialmente nos cargos de liderança. Também reforçamos a necessidade de acompanhar de perto a efetividade desses programas, garantindo que não fiquem apenas no papel, mas se traduzam em mudanças estruturais dentro do banco", afirmou a coordenadora da COE, Wanessa Queiroz.
Mulheres – Durante a reunião, o banco espanhol apresentou iniciativas implementadas em 2022, com relação a equidade de gênero e raça em cargos de especialista. O Santander falou da criação dos programas "Lidere a sua carreira" e o "Impulsione a sua carreira", voltados para a ascensão de mulheres e a equidade de gênero e raça em cargos de especialista. No Santander, as mulheres representam 59% de toda a organização, mas elas ainda têm pouca representação nos níveis de liderança. Por isso, o objetivo é ampliar a representatividade de mulheres nesses níveis.
Wanessa também destacou que as desigualdades salariais entre homens e mulheres ainda são expressivas, principalmente nos altos cargos, conforme apontado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A nova legislação brasileira de 2023 prevê mecanismos para combater essa disparidade, mas, segundo o Dieese, a paridade salarial pode levar até 46 anos para ser alcançada se não houver medidas mais efetivas.
"Diante desse cenário, é fundamental a manutenção da mesa de igualdade de oportunidades no banco para continuarmos levando as reivindicações dos empregados e contribuindo para a construção de novos direitos. Precisamos garantir que as políticas implementadas tragam mudanças reais e acelerem esse processo de equidade dentro da instituição", concluiu Wanessa.
Segundo o banco, 114 mulheres participaram das edições de 2024 dos programas de desenvolvimento; 54,4% dos membros do Conselho de Administração são mulheres; 5,6% das posições de alta liderança são ocupadas por mulheres; 43% das posições de liderança são ocupadas por mulheres. Além disso, foram estabelecidos encontros bimestrais com o grupo de afinidade para manter a pauta da inclusão de mulheres na liderança sempre ativa e sustentável.
Profissionais negros – Com o lema "Talento não tem cor", o Santander reforçou seu compromisso com o crescimento profissional de pessoas negras. Foram lançadas as primeiras edições dos programas "Lidere Sua Carreira" para líderes e "Impulsione Sua Carreira" para especialistas.
Os números apresentados incluem 62 profissionais negros que participaram das edições de 2024 dos programas; 36,6% dos funcionários do banco são negros; 22% dos cargos de liderança são ocupados por negros; 12,5% das posições de alta liderança são ocupadas por negros.
Marcos Vicente, diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e membro da COE, disse durante a reunião que a iniciativa do Santander é muito bem-vinda. Mas viu com preocupação os percentuais apresentados, principalmente no que diz respeito aos negros e negras. “O recorte é nacional. Não percebemos isso nas agências e departamentos do Sudeste, por exemplo. O banco precisa ter mais atenção neste aspecto”, afirmou.
O banco disse também ter reformulado seus programas de estágio e jovem aprendiz, priorizando a contratação de pessoas negras. Os principais indicadores divulgados foram: mais de 400 gestores participaram das sessões de sensibilização sobre diversidade; 80,7% dos jovens aprendizes são negros; 80,2% dos estagiários são negros; 64,6% dos estagiários efetivados são negros; 69% dos jovens aprendizes efetivados são negros; 100 jovens aprendizes contam com bolsa de estudo ativa.
Pessoas com deficiência – Foram anunciadas vagas afirmativas e a criação de um banco de talentos para pessoas com deficiência. Além disso, o banco implementou um programa de contratação associado a ações de formação.
Os números apresentados incluem: 2.186 colaboradores com deficiência; 14% de promoções para pessoas com deficiência no último ano; 50 profissionais com deficiência participaram do programa de desenvolvimento. Promoção da diversidade LGBTQIAPN+.
Durante a reunião, também foram apresentadas ações voltadas para a comunidade LGBTQIAPN+, como: Semana de Saúde e Bem-Estar da Pessoa LGBTQIAPN+; uma série sobre bem-estar da população LGBTQIAPN+; uma live sobre saúde e bem-estar, com participação de médicos, executivos do banco e especialistas no tema; atividades do Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, realizadas em junho para promover engajamento, letramento e visibilidade.
Outras iniciativas – O banco também mencionou o fortalecimento dos Grupos de Afinidade e o lançamento de materiais e campanhas para engajar os funcionários na pauta da diversidade.
Algumas das ações incluem produção de vídeos com funcionários de diferentes gerações compartilhando experiências; lançamento da Cartilha de Letramento Geracional; campanha "Vocabulário Anticapacitista" para conscientizar sobre o uso adequado de termos relacionados à inclusão.
Resultados do primeiro Censo da Diversidade – Para aprofundar o conhecimento sobre seus funcionários, o Santander realizou seu primeiro Censo da Diversidade, que incluiu uma pesquisa sobre percepção de inclusão e pertencimento, além da realização de grupos focais. Os principais indicadores foram: 51% de participação no censo; Realização de 5 grupos focais, com mais de 20 participantes; Nota 8,7 no índice de satisfação (NSAT); 83% de favorabilidade na pesquisa.
*Com informações da Contraf-CUT.