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Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
O ato liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no último domingo (16), que reuniu governadores e parlamentares aliados e cerca de 18 mil pessoas pedindo anistia para os políticos e militares que planejaram o golpe de estado e culminou com os atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, não esperava por uma resposta tão rápida e eficiente em defesa da democracia e pela prisão dos golpistas.
O estudante da UFRJ, João Pedro Fagundes, de apenas 18 anos, estendeu na janela de sua residência, na Avenida Atlântica, a frase "Sem Anistia".
O que os organizadores do evento e Bolsonaro não esperavam e talvez o autor da façanha também não imaginava é que sua ação seria registrada pelo fotojornalista Alexandre Cassiano, do jornal O Globo, e viralizasse nas redes sociais, rodando o mundo inteiro.
A imagem da foto emblemática na imprensa mostra a frase "Sem Anistia" logo acima da cabeça de Bolsonaro, quando o ex-presidente discursava num carro de som, ao lado das bandeiras do Brasil e dos EUA.
Em matéria da Folha de SP, a madrasta de João (que pediu para não se identificar) revelou que o estudante começou a colocar os dizeres ainda no sábado (15) e só terminou a ação na madrugada do dia da manifestação bolsonarista.
João relata a sua experiência
Em depoimento exclusivo para o Jornal Bancário do Rio de Janeiro, na última segunda-feira (17), João relatou a experiência pessoal e a repercussão de sua atitude.
Jornal Bancário - Como surgiu a ideia e porque você decidiu colocar os dizeres na janela de sua residência?
João Pedro Fagundes - A ideia surgiu da vontade de mandar um recado aos golpistas e seus apoiadores de que o povo brasileiro não vai esquecer a tentativa de violar nossa democracia. Foi uma forma que pensei de mostrar aos presentes na manifestação que existem muitos outros brasileiros não dispostos a aceitar o esquecimento [da tentativa de golpe de estado].
Bancário - Você esperava o registro do fotojornalista do Globo e imaginava que o fato tivesse tanta repercussão e viralizasse nas redes sociais?
João - Confesso que não esperava o registro do talentosíssimo Alexandre Cassiano, tampouco que iria tomar a proporção que tomou. Fiquei muito feliz de ter tido todo esse alcance, para muitos brasileiros poderem também se sentirem representados pela ação.
Bancário - Que mensagem você daria à parcela da juventude que não viveu as arbitrariedades do regime militar, mas ainda assim defendem a volta da ditadura?
João - É preciso que estudemos nosso passado para não cometermos os mesmos erros. Que possamos aprender com aqueles que dedicaram suas vidas em prol da liberdade e da democracia. Sei da distância temporal - nem tão grande assim - mas é preciso analisarmos o contexto e hoje defendermos a democracia. Assim como o grandioso Pepe Mujica [ex-presidente do Uruguai] nos ensina; "A democracia não pode ser perfeita porque os humanos não são perfeitos. Mas, até agora, não encontramos um sistema melhor. Cuidem dela".