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Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
Com informações da Contraf-CUT
Sindicatos de todo o país realizam na próxima terça-feira (18), data em que o Comitê de Políticas Monetárias (Copom) do Banco Central (BC) voltará a se reunir para decidir a nova taxa básica de juros da economia brasileira (Selic), vários protestos contra os juros altos no Brasil, um dos maiores do mundo.
"Nosso protesto é contra a política monetária definida pelo BC e que impacta nos juros cobrados em todo o sistema financeiro", explica a presidenta da Contraf-CUT Juvandia Moreira, que também é vice-presidenta nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Ato no Rio
No Rio de Janeiro, o "Dia Nacional de Mobilização Menos JUros, Mais Empregos" será a partir das 11 horas, na Avenida Presidente Vargas, 730, no Centro, sede do BC.
Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano e a má notícia o Copom já deu indicação de aumentar a taxa para 14,25%. Com o nível atual, o Brasil já figura entre os países com as maiores taxas reais de juros (que é o resultado da Selic menos a inflação).
"Além de pressionar o Banco Central para baixar os juros, queremos chamar a atenção da população para que entenda o quanto a Selic alta afeta sua vida. Trabalhador bancário, você quer trocar seu carro? Saiba que por causa disso você vai pagar por dois carros, ao invés de pagar só por um. E você, taxista? Mesmo beneficiado pela isenção, por causa de decisões do Copom o seu financiamento também acaba saindo muito mais caro pra trocar seu veículo, instrumento de trabalho", destacou o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius de Assumpção.
A alta taxa de juros inibe o financiamento para compra da casa própria, de automóveis e eletrodomésticos, restringindo o consumo das famílias.
Além de prejudicar a macroeconomia, cada ponto percentual a mais na Selic eleva a dívida pública no pagamento dos juros aos bancos, garantindo ainda mais dinheiro para o sistema financeiro e restringindo os investimentos necessários do Estado em saúde, educação, habitação e saneamento básico.
"É por isso que, enquanto toda a população perde, o mercado continua defendendo o aumento da taxa básica de juros no Brasil, e isso vemos diariamente nos noticiários, afinal de contas o mercado é o único beneficiado", acrescenta Vinícius Assumpção.
“A desculpa dada é a suposta preocupação com a inflação, mas isso não se justifica. Só lembrar que, entre 2003 e 2010, nos dois primeiros governos Lula, o Brasil estava com a economia aquecida, nível alto de emprego e Selic baixa, e a inflação seguiu sob controle”, conclui.
Pagamento de juros
Praticamente metade de tudo o que o Brasil produz e trabalha é para pagar juros aos bancos da rolagem da dívida.
Levantamento realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostra que, em 2023, a União pagou mais de R$ 732 bilhões com juros dos títulos, que tem a Selic como principal índice em suas negociações. O valor equivale a 4,3 vezes os investimentos com o Bolsa Família, 8 vezes o montante direcionado para o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltado à recomposição e expansão da infraestrutura do país, além de 3,3 vezes o orçamento para a Saúde e 5 vezes o orçamento para a Educação.
O último reajuste da Selic de 1% fez aumentar a dívida pública em torno de R$ 50 bilhões.