Quarta, 15 Maio 2019 19:30

Fora Bolsonaro: protestos da educação contra o governo tomam as ruas do país

Já na concentração a passeata mostrava a sua força, ocupando grande parte das principais avenidas do Centro do Rio: Primeiro de Março, Rio Branco e Presidente Vargas Já na concentração a passeata mostrava a sua força, ocupando grande parte das principais avenidas do Centro do Rio: Primeiro de Março, Rio Branco e Presidente Vargas

A greve de 24 horas dos trabalhadores e estudantes da educação pública e privada, nesta quarta-feira, 15 de maio, foi marcada por protestos que tomaram as ruas de todo o país. Das manifestações participaram também outras categorias como bancários, petroleiros, metalúrgicos, servidores da saúde e de vários outros setores. O protesto nacional foi contra o corte de 35% decretado pelo governo Bolsonaro sobre a verba da educação pública, e contra a reforma da Previdência Social.

No Rio de Janeiro, uma gigantesca passeata ocupou as quatro pistas da Avenida Presidente Vargas, saindo às 17h40 da Igreja da Candelária em direção à Central do Brasil. A presença massiva dos estudantes foi a marca do protesto. “A nossa luta unificou, é estudante junto com trabalhador”, cantavam os manifestantes ao saírem da Candelária. Foi um duro recado a Bolsonaro de que, ou volta atrás na sua política de corte de recursos públicos e ataque aos direitos de estudantes e trabalhadores, ou vai ter pela frente mais greves e mobilizações cada vez maiores.

Fora Bolsonaro

A palavra de ordem “Fora Bolsonaro” foi uma das mais repetidas durante o protesto do Rio. O tamanho da passeata lembrou em muito as manifestações de 2013, a das Diretas, já e as do Fora Collor, tendo esta última derrubado Fernando Collor de Melo, ex-presidente do Brasil. Outras palavras de ordem frisaram que Bolsonaro fez a sua escolha de defender os interesses dos ricos, entre eles os bancos, e retirar direitos da população. “Não é mole não, tem dinheiro pros banqueiros e não tem pra a educação”, gritavam os manifestantes.

Denunciaram também o envolvimento de membros da família Bolsonaro em casos de corrupção: “Tem dinheiro pro Queiroz e não tem pra educação”, numa referência à investigação sobre o desvio de parte dos salários dos funcionários do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, pelo seu assessor Fabrício Queiroz. Com muito humor, os manifestantes responderam à fala de Jair Bolsonaro que do Estados Unidos chamou os manifestantes de ‘idiotas e imbecis’. “Ô Bolsonaro, vai se foder, o meu país não precisa de você”, gritaram em coro  a caminho da Central do Brasil. Lembrou também o suposto apoio da família Bolsonaro à milícia. “Não é mole, não tem dinheiro pra milícia e não tem pra educação”.

Greve Geral

A greve nacional da educação e os protestos de rua deste dia 15 de maio em todo o país serviram ainda como preparação para a Greve Geral, convocada pelas centrais sindicais, entre elas a CUT, CTB, Intersindical e Conlutas. A Greve Geral, foi marcada para o dia 14 de junho, como forma de fazer o governo retroceder dos cortes de recursos do setor público e da tentativa de aprovar no Congresso Nacional a proposta nociva de emenda constitucional número 6 (PEC 06/2019). A PEC institui a reforma da Previdência Social, acabando na prática com o direito à aposentadoria e reduzindo o valor de todos os benefícios previdenciários.

Dirigentes de outras categorias e entidades sindicais também estiveram presentes na passeata. Para a presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio, Adriana Nalesso, a defesa da educação é uma luta por um direito da população devendo, por isto mesmo, ter a participação de todos. “O governo Bolsonaro ataca o povo, quando corta recursos da educação pública, impedindo a qualificação dos jovens brasileiros, travando o desenvolvimento do país. E ainda quer acabar com o direito à aposentadoria com a reforma da Previdência”, afirmou.

O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, criticou a fala de Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos, e de lá chamou estudantes e profissionais da educação de “idiotas úteis”. Do alto do carro de som, o dirigente disse que idiotas são aqueles que no governo cortam recursos da educação prejudicando a juventude e todo o país. “Idiotas são os que querem impor uma reforma que retira direitos dos trabalhadores para enriquecer ainda mais os bancos e demais empregadores. Idiotas são aqueles que congelam o investimento nos setores sociais, além da educação, a saúde pública e a habitação, em prejuízo do país”, afirmou.