Segunda, 13 Maio 2019 20:17

O CARTEL NÃO TEM LIMITES - Bradesco compra banco nos EUA por US$500 milhões

A rentabilidade do cartel dos bancos no Brasil, com a especulação em função dos maiores juros do planeta, não tem limites. O Bradesco, segunda maior instituição financeira do país, comprou o BAC Florida Bank, por US$500 milhões, quase R$2 bilhões. O objetivo da direção do Bradesco é ampliar negócios com a clientela de alta renda, inclusive brasileiros que passeiam ou moram nos EUA. A instituição financeira americana tem como especialidade o financiamento imobiliário aproveitando o grande número de brasileiros ricos que compram imóveis na Flórida.
A aquisição confirma a absurda lucratividade do sistema financeiro nacional, que chega ao ponto de comprar bancos da maior potência econômica capitalista do mundo. O curioso é que os bancos batem recordes de lucro mesmo diante de uma das maiores recessões que o país já enfrentou, com previsão de baixa do PIB, quebradeira do parque industrial brasileiro e falência do comércio, gerando mais desemprego e miséria no Brasil. Há mais de uma década, os bancos brasileiros são os mais lucrativos do mundo.
Ricos não são taxados
Banqueiros e acionistas faturam uma grana preta todos os anos e sem pagar um centavo de imposto. É que desde 1994, os lucros e dividendos são taxados por aqui, por decisão do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), descalabro que permaneceu em todos os governos seguintes e é mantido ainda hoje. Apenas o Brasil e a Estônia, pequeno país do Leste Europeu não cobram taxação dos lucros e dividendos, que nos EUA variam de 14% a 34% e em alguns países da Europa chega a 50%.
Um exemplo do absurdo desta farra dos bilionários: em três anos, a família Setúbal, proprietária do Itaú, maior banco privado brasileiro, e mais uma meia dúzia de grandes acionistas embolsou R$8 bilhões, inteiramente livre de impostos.
“No Brasil, só os pobres, através da tributação direta no consumo e a classe média, que paga o Imposto de Renda na fonte, pagam tributos. A taxação da riqueza, comum em todos os países capitalistas, é uma palavra proibida no empresariado nacional, especialmente entre os banqueiros e ainda dizem que isso é coisa de ‘comunista’. É uma vergonha que o país continue subjugado pela ganância do cartel dos bancos”, critica o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção.