Quarta, 10 Abril 2019 19:26

SAÚDE E CONDIÇÕES DE TRABALHO - Bancos admitem debater adoecimento de bancários

Adriana Nalesso (terceira, à esquerda) participou da mesa de negociação sobre saúde e condições de trabalho. Comando Nacional dos Bancários avalia que a reunião foi positiva Adriana Nalesso (terceira, à esquerda) participou da mesa de negociação sobre saúde e condições de trabalho. Comando Nacional dos Bancários avalia que a reunião foi positiva

Comando Nacional apresenta à Fenaban, dados que revelam aumento de afastamentos de bancários por doenças psíquicas e transtornos mentais

Dois temas considerados prioritários pela categoria bancária, saúde e condições de trabalho, foram novamente pauta de negociação do Comando Nacional com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), na última terça-feira, 9, em São Paulo. Na reunião, os sindicalistas reapresentaram resultado de pesquisas que revelam o alto nível de adoecimento na categoria.  
Alguns dados chamam a atenção, como o aumento no número de afastamentos por doenças de origem mental. Há uma tendência nos últimos anos: os afastamentos por doenças psíquicas ultrapassam as Ler/Dort e marcam o novo retrato da categoria. A maioria dos afastamentos são de trabalhadores das áreas gerenciais, onde a cobrança por metas é mais intensa, bem como as ameaças de demissões por baixa performance, que são cada vez mais constantes nas unidades. 

Metas abusivas

Os bancos alegam que “têm interesse em ampliar a discussão sobre as condições de trabalho”, mas para que isso se torne uma realidade, é importante o reconhecimento da origem do problema. 
“É inadmissível que os bancos continuem ignorando a realidade. As metas têm relação direta com o sofrimento psicológico dos bancários. Para mudar essa realidade é necessário ampliar o debate e implementar ações que combatam o problema, pondo fim às metas abusivas”, disse a presidenta do Sindicato do Rio, Adriana Nalesso, que esteve na mesa de negociação, na capital paulista.  
Para a sindicalista, o fato de que apenas 20% dos funcionários conseguem atingir os resultados estabelecidos pelos bancos mostra ser inaceitável a prática de jogar sobre os ombros dos outros 80% o estigma de “incapazes”. 
“É evidente que, se a imensa maioria não alcançou os resultados é preciso reavaliar as metas estabelecidas e não comparar e culpar o trabalhador pelos resultados”, acrescenta. Os bancários são profissionais extremamente dedicados, se não fossem, os resultados dos bancos não seriam tão positivos, com lucros recordes. Mas em vez de serem valorizados, os funcionários trabalham o tempo todo com medo de perder o emprego”, afirma Adriana.  
Denúncias de assédio moral e pressão por metas não param de chegar aos sindicatos. Por mais doente que esteja, muitas vezes, o bancário não se trata e nem informa às empresas seu problema de saúde por medo de ser demitido. 
“Os bancos precisam reavaliar e refletir, se querem mesmo mudar a situação e garantir melhor qualidade de vida e de saúde para a categoria. É preciso corrigir essas distorções”, destaca a sindicalista.  
Para o Sindicato, o diálogo nos locais de trabalho é sempre muito importante e não há como aceitar imposição de metas inalcançáveis para maioria dos empregados. 

Categoria estressada

Pesquisas revelam que os bancários associam o stress à profissão, que o trabalho é fonte constante de pressão e há o medo por exposição pública. Além disso, o bancário vive sob a tensão permanente por medo de assalto e violência. Um ambiente de baixa tolerância ao erro, o de acúmulo de tarefas, a pressão por resultados e a comparação com colegas leva a um grande número de trabalhadores com doenças psíquicas e transtornos mentais.  
Para o Comando Nacional dos Bancários, os bancos precisam estabelecer um canal de confiança e um ambiente de trabalho mais humano na busca de objetivos da empresa.  

Retorno ao trabalho 

Outro problema apontado pelos sindicatos é quando os bancários retornam da licença e são transferidos, ou ficam sem uma lotação certa. A mudança de local de trabalho traz insegurança e, em muitos casos, o trabalhador é até demitido.  
“O bancário sofre com essa instabilidade e muitos ao invés de melhorar, pioram e retornam à licença médica. Essa é a realidade dura e difícil que precisa ser enfrentada na busca de uma solução que garanta a saúde do bancário. Nós defendemos um ambiente de trabalho saudável, com a ampliação deste debate e um calendário de negociações propositivos que permitam avanços no tema. 
Todas as pesquisas que fazemos revelam que a categoria trata essa questão como prioridade. Está mais do que na hora dos bancos priorizarem também esse tema”, completa Adriana Nalesso. 
A próxima reunião, que irá começar a discutir efetivamente as possibilidades de prevenção das doenças ocupacionais, ficou marcada para o dia 22 de maio.