Quarta, 13 Março 2019 17:00

Bancárias acima dos 40 anos sofrem discriminação e são demitidas precocemente

O quadro de funcionários femininos em bancos privados sofre alterações impulsionadas pelas atitudes das instituições bancárias que reduzem em média 7,8% a presença das mulheres nos setores corporativos após os 40 anos de idade, totalizando apenas 48,6% de funcionárias, segundo revela uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (Dieese).

Com base nas informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), as mulheres ocupam 56,4% dos cargos antes de atingir a faixa de idade citada, e a explicação para esse fenômeno deve-se a saída precoce das bancárias pelas dificuldades de obterem promoções, acesso a cargos de maior prestígio, remuneração e também a preferência dos bancos em optarem por mulheres mais jovens para o preenchimento de vagas, segundo revela a socióloga do Dieese, Bárbara Vallejos. Em pesquisa também levantada pelo Dieese em janeiro deste ano afirma que mulheres recebem apenas 82,2% do valor destinado ao pagamento de bancários, ainda sim que ocupem os mesmos cargos.

 

Discriminação

 

Nas instituições privadas, as mulheres são minorias em todas ocupações de nível hierárquico elevado. No Santander, elas ocupam apenas 20,20% dos cargos de alto escalão, enquanto o Itaú abriga somente 12,7% das vagas da diretoria do banco, e por fim o Bradesco, responsável pelo percentual mais assustador, com 5,15% de mulheres ocupando as vagas de maior prestígio. Outro dado relevante na pesquisa aponta que o achatamento de salários tem feito os bancos a optarem por funcionárias mais jovens, mesmo que recebam um salário menor, pois o saldo entre admissões e demissões nos bancos só ficou positivo numa única faixa etária, de 18 até 29 anos.

Remuneração

Levantamento de informações salariais realizada pelo Rais apresenta uma diferença considerável nos salários entre homens e mulheres no setor bancário. Apesar da queda percentual de 24% em meados de 2012 para 22,8% em 2017, o cálculo previsto para a igualdade de salários está no longínquo ano de 2085.

“É inadmissível que em pelo século XXI as mulheres continuam sofrendo tamanha discriminação no mercado de trabalho. Não vejo nenhuma preocupação dos bancos para mudar essa situação, fruto de um preconceito enraizado em nossa sociedade”, disse a diretora de Políticas Sociais do Sindicato, Kátia Branco.