Quarta, 13 Março 2019 16:57

Comando Nacional cobra ações práticas e canal para denunciar violência contra bancárias

O Comando Nacional dos Bancários, em reunião com a Fenaban, na terça-feira, dia 12 de março, apresentou dados do Censo da Diversidade Bancária, que revelam desigualdades e discriminação na categoria.

Apesar da pressão feita pelos trabalhadores através da organização sindical, ainda há diferenças salariais, entre homens e mulheres. As bancárias ganham em média 22,3% a menos que os homens, índice superior à média do mercado de trabalho no Brasil, cuja diferença entre os dois gêneros é de 20,49%.

Mesmo ganhando menos que os homens, as bancárias são muito cobradas para a formação profissional: o nível de escolaridade na categoria é 83,8% maior contra 22,8% no mercado de trabalho.

 

Machismo na sociedade

 

Na reunião, o Comando Nacional apresentou propostas efetivas para avançar no debate sobre igualdade de oportunidades nos bancos.

“Não podemos ficar apenas no diagnóstico, que também é fundamental, mas é preciso, na prática, iniciar um processo de transformação para pôr fim às desigualdades e a toda forma de discriminação nos locais de trabalho”, destacou a diretora de da Secretaria de Políticas Sociais do Sindicato, Kátia Branco, que participou da mesa de negociação, em São Paulo. O Comando defende a criação do “agente da diversidade” em cada local de trabalho para debater temas relacionados às desigualdades e discriminação.

“Acreditamos que é através da educação que vamos mudar essa cultura do machismo na sociedade”, acrescenta Kátia.

 

Violência contra a mulher

 

A violência contra as mulheres também foi debatida no encontro. Os dados são assustadores. Foi apresentada ainda para a Fenaban a proposta de criação de um canal específico para denúncia de violência contra a mulher.

“A ideia é que as bancárias tenham apoio psicológico, jurídico e também financeiro, além da transferência em caso de necessidade”.

As bancárias do Rio podem ligar para a Secretaria de Políticas Socais do Sindicato para denunciar qualquer forma de violência ou discriminação contra mulheres, pelo telefone 2103-4170.

Os dirigentes sindicais cobraram a ampliação do debate sobre a necessidade de políticas de promoção da igualdade social e cobrou dos bancos ações mais efetivas.

“Somos agentes de mudança na sociedade e os bancos têm responsabilidades também, podem e devem ajudar os trabalhadores e trabalhadoras nesse processo”, disse a presidenta do Sindicato do Rio, Adriana Nalesso.

Nos bancos privados mulheres até 39 anos correspondem a 54% da categoria e nos públicos, 42%. No entanto, comparando os dados com idade acima de 40 anos, a situação se inverte e os homens passam a ser maioria.

“Isso significa, que com o avanço na idade as mulheres são ainda mais discriminadas”, acrescenta Nalesso.

Outros fatos relevantes debatidos foram a dificuldade de ascensão profissional das mulheres, que ainda tem outras responsabilidades sociais, como cuidados da casa, de idosos e filhos, resultando assim, na dupla jornada.