Sexta, 08 Fevereiro 2019 20:08

Santander pressiona funcionários a obter certificação e demite trabalhadores

As negociações da Comissão de organização dos Empregados (COE) com o Santander não avançaram. Sindicalistas cobram o fim da pressão sobre os bancários As negociações da Comissão de organização dos Empregados (COE) com o Santander não avançaram. Sindicalistas cobram o fim da pressão sobre os bancários

BC afirma que prazo é de 1 ano para empregado que “passa a exercer uma atividade diferente para a qual tenha sido considerado apto” obter o CPA10 
A resolução 3057, do Banco Central, define, em parágrafo único, que o bancário tem prazo de um ano para obter o CPA 10, um curso de qualificação para gerentes de instituições financeiras atuantes nas áreas de telefonia ou em agências, quando o empregado “passa a exercer uma atividade diferente para a qual tenha sido considerado apto”. Apesar desta regulamentação, bancários denunciam que o Santander pressiona seus funcionários para a certificação e utiliza a falta dela para justificar demissões. Em reunião na terça-feira passada, dia 29 de janeiro, o banco espanhol garantiu que “não há pressão para a certifica&cced il;ão”. A afirmação não condiz com a rotina nos locais de trabalho. 
“Os bancários que estão sendo pressionados para a obtenção do certificado, devem denunciar ao Sindicato”, alerta o diretor do Sindicato e membro DA Comissão de Organização dos Empregados (COE), Marcos Vicente. 

Sobrecarga de trabalho
           
Ao que tudo indica, a sobrecarga de trabalho parece estar longe de ter fim no Santander, pois o banco apresentou recentemente um modelo de atendimento na qual unifica funções de caixa, agente comercial, coordenador e gerente de pessoa física numa única forma unilateral do chamado “Gerente de Negócios e Serviços”, modelo que deverá ser lançado ainda no primeiro trimestre deste ano. Para Marcos Vicente, a pressão sobre os funcionários, que já trabalham sob forte carga emocional, aumentou justamente em função deste modelo, até porque a unificação obrigará todos os funcionários a terem a certificação CPA10. 
“A criação desse novo cargo do Santander fará com que os funcionários sofram ainda mais sobrecarga e pressão mais abusivas por metas. O banco sinaliza em revisar a RV (Remuneração Variável) e não a Remuneração Fixa. Isso significa mais trabalho, responsabilidades e mais funções, para não receber a mais por isso”, finaliza.
O número de bancários adoecidos aumentou 61% nos últimos dez anos, ultrapassando 17 mil trabalhadores vítimas da sobrecarga na jornada, assédio moral e outras irregularidades denunciadas por vezes pelos empregados e pelo Sindicato. 

Plano de Saúde

O Santander tem dificultado a vida dos trabalhadores há algum tempo, pois desde a reunião realizada em 13 de dezembro de 2018, o banco demonstra resistência em negociar melhorias nos planos de saúde para seus funcionários, que apontam o aumento significativo na mensalidade do plano. Apesar do lucro anual de R$ 12,398 bilhões, o Santander afirma que reajustes do mercado e a alta inflação médica são motivos do aumento, que sempre recaem sobre os ombros do trabalhador.