Quarta, 02 Janeiro 2019 20:15

Sobrinha-neta de Aluísio Palhano fala ao Sindicato

No dia 3 de dezembro foi identificada a ossada do ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, morto durante o regime militar, Aluízio Palhano, em Perus (SP). Clarisse Mantuano, sua sobrinha-neta e autora do documentário feito em 2005 sobre a vida do líder sindical, intitulado “Um companheiro”, conversou com o Sindicato sobre Aluízio, os motivos que a levaram a fazer o filme e as similaridades entre o futuro governo brasileiro e a ditadura, responsável por torturar e assassinar seu tio-avô.
Clarisse ressaltou a importância da juventude assistir ao curta metragem para que nunca seja esquecida a história das pessoas mortas pelo regime militar como Palhano e tantos outros que fizeram oposição à ditadura. “Esse filme é para pessoas de esquerda, mas é importante também para mostrar a todos o que acontecia naquela época. Eu torço para que estes fatos cheguem a essa juventude e mostrem como eles (líderes de oposição à ditadura) lutavam por um mundo mais justo e foram perseguidos e tratados de forma desumana”, afirma Clarisse.
Clarisse fez o documentário sobre a história de Aluízio, na época ainda considerado desaparecido político. Em entrevista ao Sindicato, ela revela a importância do cineasta Silvio Tendler, com quem já havia trabalhado no filme “Marighella – Retrato falado do Guerrilheiro” (2001), na sua decisão de fazer o curta. “Eu era assistente de direção do filme dele, que me incentivou muito a fazer esse documentário”, contou.
Clarisse revela que vivenciou todo o período em que Aluízio esteve desaparecido quando era pequena: “Tinha oito anos e via minha avó Branca Eloysa e meu avô Anísio Palhano lutarem para que o Estado brasileiro assumisse sua responsabilidade no assassinato, ou se Palhano estivesse vivo dissesse onde estava. Branca e Anísio tinham uma posição política e uma determinação muito forte a este respeito”, lembra.
A diretora do curta também falou sobre tortura e assassinato, os meios de extrema violência utilizados pelos militares quando sequestraram seu tio-avô no dia 24 de abril de 1970. “Isso é crime, quem defende isso está defendendo criminosos. Um governo autoritário, que não consegue conviver com a oposição, com o diferente, é fascista. Tortura é crime e ponto final”, ressaltou.
O documentário está disponível no YouTube. Tem 11 minutos de duração e as lembranças e a história de Aluízio Palhano, que além de ter sido presidente do Sindicato foi importante líder de oposição ao regime militar, ligado à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). A história é contada por sua cunhada Branca Eloysa e produzida por Clarisse.