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Prisão de reitor da UFMG pela PF lembra práticas da ditadura

NOTÍCIAS

06, dezembro 2017 20:27

Numa ação que lembrou as práticas da ditadura militar, a Polícia Federal invadiu a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), nesta quarta-feira (6/11), para prender à força o reitor da instituição, Jaime Arturo Ramírez, e a vice-reitora Sandra Goulart, além de professores. Foram levados para depor coercitivamente, apesar de nunca terem se recusado a comparecer à PF, já que jamais receberam notificação neste sentido. São acusados de desvio de recursos públicos, na construção do Memorial da Anistia, justamente um museu em homenagem aos perseguidos pela ditadura militar. 
A federal agiu com estardalhaço, transformando a ação num verdadeiro show midiático. Cem agentes participaram das detenções. A PF usou de ironia denominando a operação de “Esperança Equilibrista”, trecho da música de João Bosco e Aldir Blanc, que virou hino contra a ditadura militar e pelo retorno da democracia. 
Cunho político
A jornalista Tereza Cruvinel, classificou a ação como desproporcional e de cunho político. “Assim como na ditadura militar, as universidades, ilhas de liberdade e pensamento crítico, entraram na linha de tiro deste novo regime autoritário instalado no Brasil, sob o tacão da Polícia Federal, do Ministério Público e outros órgãos de controle que, a pretexto de combater a corrupção, violam direitos e garantias”, afirmou.
Para o diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Ronald Carvalhosa, o que aconteceu na UFMG foi mais um sinal da escalada do autoritarismo no Brasil, a marca do governo Temer. “Ao mesmo tempo, fica claro ter sido mais uma ação voltada para tentar desmoralizar as universidades federais, e justificar a sua privatização, projeto deste governo golpista”, denunciou. 
Humilhação
Lembrou que em agosto a federal levou para depor à força o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Cancellier de Olivo, que, na penitenciária de Florianópolis, teve os pés acorrentados, as mãos algemadas, foi submetido, nu, à revista íntima, vestiu uniforme de presidiário e ficou em uma cela na ala de segurança máxima. Cardiopata, passou mal, e foi examinado e medicado por seu cardiologista. Em outubro, se suicidou, deixando um bilhete: “A humilhação e o vexame a que fomos submetidos há uma semana – eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – não tem precedentes na história da instituição”, escreveu. Filho de operário e costureira, Cancellier foi liderança do movimento estudantil contra a ditadura, ligado ao chamado Partidão, o Partido Comunista Brasileiro (PCB). 
Ronald afirmou estar na hora de pôr um fim a esta espetacularização da polícia federal. “Este tipo de ação afeta a honra e expõe as pessoas para depois vir à tona que nada foi provado contra os atingidos, como aconteceu com Cancellier, afirmou. 

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