Quarta, 11 Setembro 2019 18:56

Reforma, juros, tarifas e corte de despesas impulsionam lucro dos bancos

Enquanto a economia brasileira registrava um crescimento insignificante do Produto Interno Bruto (PIB), de 0,4%, no segundo semestre, o sistema financeiro aparecia como um paraíso no meio da estagnação e da recessão dos demais setores em função da política econômica do governo Bolsonaro. Os cinco maiores bancos lucraram juntos, fantásticos R$ 50,5 bilhões, uma das mais altas rentabilidades do mundo e um aumento médio de 20,7% em 12 meses.

Só em tarifas os bancos arrecadaram apenas no primeiro semestre um total de R$ 69,9 bilhões, alta média de 4,5%, comparado ao mesmo período do ano anterior. Com este montante cobriram com folga todas as despesas com pessoal incluindo nessa conta o pagamento da PLR e com os planos de demissão. Mas o aumento das tarifas cobradas aos clientes não se refletiu em melhora da qualidade do atendimento, pelo contrário. Houve redução de vagas no Itaú, no BB e Caixa Econômica Federal, aumentando as filas e o tempo de atendimento.

Grande parte dos correntistas, e não correntistas que fazem uso dos bancos para pagamento de contas, por exemplo, não sabem lidar com as plataformas digitais ou máquinas das agências. Com isto, somado à contínua redução de funcionários, estas milhões de pessoas tiveram dificultado ainda mais o atendimento.

A exploração, obviamente, também atingiu os bancários. A redução do número de vagas, provocou o aumento da sobrecarga de trabalho e do adoecimento, além de só contribuir para o aumento do desemprego, embora os bancos não apresentem qualquer dificuldade econômica.

Juros altíssimos

Outro ingrediente determinante no aumento dos lucros, foram os juros, uma das taxas maias altas do planeta. Segundo o Banco Central a taxa média do cartão de crédito rotativo foi de 300,29% ao ano em julho, contra 300,09% em junho. A do cheque especial foi de 318, 65%, em julho, contra 303,19%. A reforma da Previdência também ajudou no aumento do lucro, fazendo com que, pelo receio de se aposentar com um valor muito baixo, ou ter direito ao benefício só muito velho, muitas pessoas procurassem a previdência privada.

Para cortar ainda mais os custos, sob a alegação de agilizar o atendimento, os bancos ampliaram o atendimento digital. Para isso, demitiram, abriram agências digitais, agências-café, investiram em aplicativos para smartphones, inteligência artificial, entre outros, que têm espaços e serviços no mesmo ambiente do atendimento bancário traz grandes preocupações quanto a segurança, além da condição de trabalho e saúde dos bancários.