Terça, 11 Junho 2019 21:22

Pressão dos sindicatos faz Santander recuar em trabalho nos finais de semana

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES - O Sindicato protestou durante os cinco sábados em que o Santander impôs aos seus funcionários, o trabalho aos finais de semana. A pressão surtiu efeito e o banco recuou JUNTOS SOMOS MAIS FORTES - O Sindicato protestou durante os cinco sábados em que o Santander impôs aos seus funcionários, o trabalho aos finais de semana. A pressão surtiu efeito e o banco recuou

Banco anuncia o fim do que chamava atividade “voluntária” aos sábados, após cinco finais de semana. Suspensão inclui a agência Santa Cruz, no Rio

O projeto do Santander em realizar trabalhos aos sábados não terá continuidade. Em comunicado formalizado na quinta-feira (6), o banco confirmou para nove agências o fim das atividades de orientação financeira em várias unidades. O suposto trabalho “voluntário” tinha sido programado para acontecer em 29 agências. O comunicado menciona nove agências onde ela será descontinuada, inclusive a de Santa Cruz, no Rio (as demais são, Duque de Caxias, Niterói/RJ, Guarulhos, Largo 13 de Maio e São José dos Campos/SP, Emiliano/PR, Cabula/BA e Osvaldo Aranha/RS).
Não tem nada de voluntário
Sob forte pressão dos sindicatos, os protestos ganharam força nas redes sociais e levaram o banco espanhol a encerrar o trabalho aos sábados, que de “voluntário” não tinha nada.
Sindicatos em todo o país realizaram protestos e paralisações, denunciando a intenção do banco, que queria atrair clientes para seus produtos e serviços, desrespeitando a jornada de segunda à sexta-feira da categoria e não oferecendo nenhuma garantia trabalhista ou contrapartida para os trabalhadores. Sem a proteção dos direitos previstos na CLT e na Convenção Coletiva de Trabalho, os bancários ficaram expostos a riscos, pois como tratou as atividades como “voluntárias”, o banco não assumiria quaisquer responsabilidades em relação aos acidentes de trabalho. No Rio, o Sindicato protestou durante os cinco sábados seguidos contra o trabalho dos funcionários em um shopping onde funciona a agência de Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade.  
“Além de não ser voluntária, a atividade imposta aos bancários nos finais de semana não era, na verdade, uma orientação financeira. Ficou clara a intenção da instituição de atrair clientes para vender mais e aumentar os lucros”, explica a diretora do Sindicato, Maria de Fátima.
Explorando brasileiros
O Santander é um dos bancos que mais elevam tarifas anualmente, além de fazer parte de um cartel no sistema financeiro nacional que pratica os maiores juros do mundo. O Sindicato denunciou a prática e divulgou essas informações para bancários e populares que passavam nas imediações.
Uma reportagem do Jornal do Brasil aponta que o banco cobra 20% a mais nos empréstimos para os brasileiros do que para seus patrícios, os espanhóis, país de origem da instituição. Ao todo, o percentual pode chegar a 1.761% de aumento nos serviços prestados pelo Santander.
 “Foi uma vitória de todos os bancários. Hoje é o Santander, amanhã poderia ser outra instituição financeira. Este recuo mostra que a mobilização da categoria junto ao Sindicato é o caminho para garantir vitórias e garantir direitos”, afirma o diretor do Sindicato, Marcos Vicente.