Quinta, 18 Julho 2019 17:15

Escândalos e reforma da Previdência aumentam desgaste de Bolsonaro

 Pesquisas junto à população mostram Bolsonaro em queda Pesquisas junto à população mostram Bolsonaro em queda

O desgaste provocado por uma série sucessiva de escândalos tem tido efeitos devastadores sobre o governo Jair Bolsonaro (PSL), dentro e fora do país. No Brasil, desde janeiro, a aprovação vem caindo na série do Ibope: era de 67% em janeiro e chegou a 21 pontos em junho. A desaprovação, por outro lado, subiu 27 pontos: foi de 21% para 48%.

Entre os vários escândalos estão o caso que investiga o envolvimento de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e seu assessor Fabrício Queiroz em desvio de dinheiro cujas investigações apontam ser de salários de funcionários do gabinete do parlamentar quando era deputado estadual; e também a reforma da Previdência, extremamente cruel com os trabalhadores; além do escândalo do ex-juiz Sérgio Moro, ministro da Justiça de Bolsonaro, cuja troca de mensagens pelo aplicativo Telegram, divulgadas pelo site The Intercept Brasil, mostram o então magistrado orientando procuradores da Lava-Jato nas investigações do caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em outro quesito do levantamento do Ibope, 51% dos entrevistados dizem não confiar no presidente Jair Bolsonaro. O índice era de 45% em abril. Já os que confiam caíram de 51% para 46% entre um mês e outro.

Nepotismo

Não aparecem ainda na pesquisa, os efeitos de mais um caso de nepotismo no governo: a indicação do filho da Jair Bolsonaro, Eduardo, para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. O caso causou uma reação imediata de rejeição no país e fora daqui. Também não aparecem neste levantamento, a compra de votos de deputados na aprovação da reforma da Previdência, em primeiro turno, no plenário da Câmara dos Deputados, em 10 de julho.

A compra de votos teria sido feita, segundo foi amplamente noticiado, através da liberação de emendas parlamentares, dias antes da votação. De acordo com levantamento da Organização Não Governamental Contas Abertas, só nos primeiros cinco dias de julho, foram empenhados R$ 2,551 bilhões. A cifra é maior do que a observada em todo o ano até junho: R$ 1,77 bilhão. O valor também é o mais alto empenhado para meses de julho ao menos desde 2016. O empenho vale como uma garantia de que os recursos serão efetivamente liberados.

Ação cobra punição

Parlamentares do PT entraram com ação popular no Supremo Tribunal Federal (STF) e apresentaram representação à Procuradoria-Geral da República (PGR), denunciando a compra de votos de parlamentares pelo governo Bolsonaro para que decidissem a favor da reforma. Este fato gravíssimo vem sendo ignorado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, órgãos aos quais caberia investigar para punir os envolvidos, tanto quem comprou os votos, quanto quem recebeu o dinheiro através das emendas.

Segundo o jornal O Globo, cada deputado receberia R$ 40 milhões. Só no dia 8 de julho, o Planalto publicou 34 portarias autorizando a liberação de R$ 920,3 milhões em recursos. A compra de votos confirma que a proposta de reforma é cruel com os trabalhadores brasileiros, em especial com os mais pobres. Se a proposta fosse boa, principalmente para o trabalhador mais pobre, o parlamentar votaria sem nenhuma contrapartida.